Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Um Homem de Família'

Debutando em longas metragens como diretor, o produtor e roteirista (criador do sucesso recente na netflix, Ozark) Mark Williams traz para a telona um retrato de uma família que tem um pai distante por conta de sua vida workaholic. Nada muito incomum de tantos outros retratos de família que já vimos na tela grande. É difícil encontrar alguns diferenciais, as armadilhas dos clichês são acionadas a todo instante mesmo que em algumas sequência a trama emocione. Estrelado pelo ator escocês Gerard Butler, Um Homem de Família estreou no circuito exibidor meses atrás e deve fazer sucesso nas sessões da tarde de muitas emissoras.

Na trama, conhecemos Dane Jensen (Gerard Butler), um profissional do ramo de contratações que é intenso em suas 70 horas semanais de trabalho. Sempre chegando tarde em casa, passa pouco tempo com sua esposa Elise (Gretchen Mol) e seus três filhos. Tudo passa a mudar quando Dane e Elise recebem a terrível notícia que o filho mais velho do casal está com leucemia. O fato faz o protagonista mudar sua rotina e enxergar novas formas de viver sua vida e enxergar o tão importante é a sua presença na vida de todos que o amam.

O protagonista possui seu carisma, antes um trabalhador compulsivo passa por uma transformação pelo trauma que sofre. Isso influencia sua maneira de enxergar os absurdos que fazia em seu trabalho para conseguir êxito. O paralelo com uma subtrama, com o grande ator Alfred Molina atrás do telefone, vira os melhores momentos do filme. A transformação de Dean passa exatamente nas conclusões e arranjos finais que consegue para ajudar o personagem de Molina. O relacionamento de Dean com seu chefe Ed (Willem Dafoe) é fantasioso e exigente, Dean no início se espalha nele, quer sucesso, dinheiro, poder, estabilidade, custe o que custar.


Analisando a história pelos limites do ser humano, ótimos debates podem ser construídos. A falta de ética de Dean no trabalho, suas falhas como pai, a luta interna entre o poder e a família. Mas como cinema, é muito parecido com outros tantos, clichês encaixados, direção apenas Ok, roteiro até certo ponto sonolento. Resumindo, um ótimo filme para ser selecionado para a sessão da tarde.

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...

Crítica do filme: 'Matar Jesus'

Os questionamentos ao poder, a inconsequente justiça com as próprias mãos. Exibido no Festival de Toronto no ano de 2017, Matar Jesus , escrito e dirigido pela cineasta Laura Mora Ortega é um recorte impactante de um choque entre dois mundos, duas realidades dentro de uma mesma cidade. Uma tragédia inesperada. Uma família em dúvidas sobre o futuro em uma cidade tomada pela criminalidade. Uma jovem em busca de respostas e justiça. Um filme que gera uma dezena de reflexões. Potente fita colombiana. Na trama, conhecemos a jovem e alegre Lita ( Natasha Jaramillo ), estudante de fotografia, universitária, que tem uma grande admiração pelo pai, um professor universitário. Certo dia, após voltar para casa de carona com seu pai Lita presencia o terrível assassinato do mesmo por dois bandidos em uma moto. O tempo passa e Lita parece estar perdida com a absurda falta de sensibilidade da polícia local e sem nenhuma notícia sobre a justiça no caso. Dois meses após a tragédia, em uma boate, acab...