Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Travessia'


O olhar para o passado através das imagens que falam muito pelas entrelinhas. Uma das coisas mais legais nos diversos festivais de cinema online que nasceram a partir da fase reclusa de nós seres humanos (sem salas de cinema principalmente) na batalha diária contra a covid-19 é a possibilidade de chegar ao público diversos longas, curtas, médias-metragens que, entre outros fatores, por conta da dinâmica acelerada de nossas vidas, acabam não tendo a chance de exibição nas tantas janelas que existem. Em Travessia, curta-metragem, com cerca de cinco minutos de projeção, a diretora baiana Safira Moreira consegue um dinamismo e conteúdo louvável para mostrar as entrelinhas nas fotografias que garimpa de mulheres negras nas feiras de antiguidades espalhadas pelo Brasil. Um filme simples, rápido mas que nos faz refletir bastante.

Uma foto conseguida na feira da Glória no RJ, comprada por um real, se torna o pontapé inicial dessa jornada que não deixa de ser um retrato comovente e verdadeiro, um espetáculo intimista mas que fala de tantos para muitos. Com trechos do impactante poema Vozes Mulheres de Conceição Evaristo e uma pequena passagem da música Juana de Mayra Andrade o filme pode ser refletido com um pequeno recorte sociológico sobre, principalmente a estigmatização da representação do negro. O projeto foi exibido na abertura do Festival Internacional de Cinema de Rotterdam 2019. Tem link do filme completo no youtube, procurem, vale a pena conferir.

 

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'Vípuxovuko – Aldeia' [Fest Aruanda 2025]

Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda , com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra. Selecionado para a mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Fest Aruanda 2025, a obra avança nas suas críticas sociais, muito bem articuladas a partir de um protagonista de raízes indígenas, que escapa de generalizações. Ele trabalha como entregador e também exerce a função de líder de sua comunidade, reivindicando direitos e protegendo seu povo das ações desenfreadas dos mecanismos do Estado.    A cultura indígena ganha registros através da fé, da cultura, da tradição e da preservação desses povos originários, que em muitos casos estão sempre na luta pela continuid...

Crítica do filme: 'Apocalipse Segundo Baby' [Festival É Tudo Verdade 2026]

Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Se você ouvir esse nome por aí, talvez não sabia de quem se trata. No entanto, se falarmos Baby do Brasil – ou mesmo Baby Consuelo, como foi conhecida boa parte de sua carreira - as lembranças logo chegam. 18 anos depois do início do projeto, o documentário Apocalipse Segundo Baby, chegou às telonas brasileiras antes da sua estreia em circuito, através do Festival É Tudo Verdade. Com roteiro e direção de Rafael Saar , a obra toma um rumo corajoso desde seu início, fugindo de referências documentais conhecidas para se chegar em uma narrativa intensa, cheia de imagens e movimentos. Essa busca pela originalidade, na tentativa de traduzir o abstrato de uma personalidade plural, marcada por autorreflexões de Baby, segue apenas por essa perspectiva, com a ajuda de registros de apresentações marcantes. De Niterói a Salvador, passando por uma experiência marcante em Santiago de Compostela - ex-integrante do grupo Novos Baianos, que alcançou o sucesso a...

Crítica do filme: 'Zico, o Samurai de Quintino'

Um craque como poucos, dentro e fora de campo. Se você acompanha futebol - ou não -, já ouviu falar de Zico, um dos maiores camisas 10 da história do futebol mundial. Muito associado à nação rubro-negra, sua idolatria transborda para torcedores de outros times e outros países. Um figura exemplar, que preencheu páginas gloriosas desse esporte que é uma paixão nacional. Hoje, aos 73 anos, o galinho de quintino tem recortes de sua vida apresentados ao público no documentário Zico, o Samurai de Quintino , com estreia marcada para o próximo dia 30 de abril nos cinemas. Dirigido por João Wainer , o projeto busca um olhar amplo, construído desde seus primeiros passos na carreira até sua passagem pelo Japão, mostrando sua importância para a profissionalização do futebol naquela região – um legado visto até hoje -, com um recheio saboroso revisitando sua história profissional no Brasil.    O documentário segue por um modelo narrativo convencional, sem se arriscar, com entrevistas e...