Pular para o conteúdo principal

E aí, querido cinéfilo?! - Entrevista #108 - Josivânia Santos


O que seria de nós sonhadores sem o cinema? A sétima arte tem poderes mais potentes do que qualquer superman, nos teletransporta para emoções, situações, onde conseguimos lapidar nossa maneira de enxergar o mundo através da ótica exposta de pessoas diferentes. Por isso, para qualquer um que ama cinema, conversar sobre curiosidades, gostos e situações engraçadas/inusitadas são sempre uma delícia, conhecer amigos cinéfilos através da grande rede (principalmente) faz o mundo ter mais sentido e a constatação de que não estamos sozinhos quando pensamos nesse grande amor que temos pelo cinema.

Nossa entrevistada de hoje é cinéfila, pernambucana (de Limoeiro), estudante e autora de contos de terror. Josivânia Santos mostrou interesse pelo cinema desde muito cedo e uma grande influência foram seus tios. Adora tudo relacionado aos anos 80, acredita que foi uma época mágica. Assistindo a muitos filmes e séries, veio a vontade de escrever. Criou o @pipocaemusicaa (endereço do instagram) para poder compartilhar os seus gostos, opiniões e debater com outros cinéfilos, tudo o que há de bom na sétima arte! Segundo ela:  “O cinema é uma experiência única e que todos deveriam apreciá-lo cada vez mais!”

 


1) Na sua cidade, qual sua sala de cinema preferida em relação a programação? Detalhe o porquê da escolha.

Bom... Eu moro em cidade pequena, então aqui não temos cinema, para termos acesso à cinema, nos deslocamos para outras cidades vizinhas.

 

2) Qual o primeiro filme que você  lembra de ter visto e pensado: cinema é um lugar diferente.

Acho que foi X-Men: Primeira Classe (2011). Foi maravilhoso, uma experiência única e muito prazerosa, completamente diferente do que é ver o filme em casa.

 

3) Qual seu diretor favorito e seu filme favorito dele?

Nossa! Tenho tantos! Mas os mais preferidos são John Carpenter e Quentin Tarantino, eles são maravilhosos! Meu filme preferido do Carpenter é Halloween: A Noite do Terror (1978) e do Tarantino é Pulp Fiction: Tempo de Violência (1994).

 

4) Qual seu filme nacional favorito e porquê?

Tenho vários! Acho o cinema nacional muito competente, mas entre todos O Auto da Compadecida (2000) pra mim sempre vai ser o melhor! O filme fez parte da minha infância, via várias vezes na escola, e é aquele tipo de filme que eu posso ter visto cem vezes, se estiver passando, eu vou ver de novo. Gosto dele também porque é ambientado no meu Nordeste, os personagens são muito marcantes, é um filme bem abrasileirado, e tudo isso contribui para que a obra seja um clássico do cinema nacional.

 

5) O que é ser cinéfilo para você?

Uma pessoa que seja amante de cinema, sétima arte, cultura pop e afins... que saiba tirar maior proveito de todos os gêneros, passar a admirar todo esse universo maravilhoso com outros olhos... Aposto que todos nós temos um grande cinéfilo dentro de si.

 

6) Você acredita que a maior parte dos cinemas que você conhece possuem programação feitas por pessoas que entendem de cinema?

Eu acredito que grande maioria não! Algumas empresas estão preocupadas na questão do lucro, e deixam de fora produções que realmente valem a pena serem vistas.

 

7) Algum dia as salas de cinema vão acabar?

Espero que não. Mas com os avanços das tecnologias, até os hábitos de ver um filme estão se tornando remotos, com várias plataformas de streamings, o cinema está decaindo um pouco em comparação há épocas atrás. Mas tomara que isso não venha a acontece, porque nada é comparado a gostosa sensação que é ver um filme no cinema.

 

8) Indique um filme que você acha que muitos não viram mas é ótimo.

Vi muitos filmes legais recentemente, o que vou indicar não é desconhecido, mas acredito que muitos ainda não viram que é O Farol (2019). Acho esse filme espetacular, Robert Eggers é um ótimo diretor, cara que eu sou muito fã também, Robert Pattinson está ganhando bastante destaque nos últimos anos e nesse filme ele está sensacional, uma das melhores atuações dele, e também temos o maravilhoso Willem Dafoe, o cara tá absurdo! O filme foi indicado ao Oscar na categoria de Melhor Fotografia, mas infelizmente não venceu... Contudo é um filmaço! Nota 10! Recomendo que todos vejam.

 

9) Você acha que as salas de cinema deveriam reabrir antes de termos uma vacina contra a covid-19?

Para segurança e bem estar de todos, melhor não reabrir. Embora que algumas pessoas não respeitem a quarentena, mas cada um tem que fazer sua parte, e se isso fosse cumprido com êxito, tudo já haveria passado. Por mais que eu adore cinema, ainda não está na hora.

 

10) Como você enxerga a qualidade do cinema brasileiro atualmente?

Eu acho que o cinema brasileiro tem muito potencial, muito mesmo, mas acaba se remetendo a espelhar-se bastante em produções de Hollywood, sem criar um selo próprio, por isso que muitas vezes algumas produções não chamam atenção nem dos próprios brasileiros. Temos muitas obras boas, de verdade, Bacurau está aí pra provar isso.

 

11) Diga o artista brasileiro que você não perde um filme.

Ele é brasileiro, mas ultimamente está com muitos projetos em Hollywood, que é o Rodrigo Santoro. Acho ele um excelente ator, um orgulho para nosso país.

 

12) Defina cinema com uma frase:

“Todos deveriam apreciar”.

 

13) Conte uma história inusitada que você presenciou numa sala de cinema:

Quando fui ver IT: Capítulo 2 (2019) no cinema, entrei com um copão de refri, e nem tinha ido ao banheiro antes de começar. Até aí tudo bem... quando passou uns 40 minutos, fiquei com vontade de ir ao banheiro, mas ao mesmo tempo não queria para não perder nenhuma parte do filme. Resumindo... o filme era quase três horas, saí da sessão quase fazendo xixi hahaha, corri direto para o banheiro, pra no fim o filme não ser tão bom, era pra eu ter ido ao banheiro mesmo.

 

14) Defina 'Cinderela Baiana' em poucas palavras...

Não tenha palavras que definam essa pérola do cinema nacional! Hahaha.

 

15) Muitos diretores de cinema não são cinéfilos. Você acha que para dirigir um filme um cineasta precisa ser cinéfilo?

No meu ponto de vista sim! Mas dá sim para dirigir um filme por conhecimentos gerais sobre o tema.

 

16) Qual o pior filme que você viu na vida?

Como sou muito fã de terror, vejo muitos filmes do gênero e encontro muitas bombas por aí. Mas acho que o pior que já vi até agora foi Pânico na Floresta 6 (2014). Eita que filme horrível, péssimo com todas as letras, nada nele se salva! A franquia Pânico na Floresta já não é lá essas coisas, só o primeiro que é o melhor, as continuações foram ruins, mas esse abusou da ruindade! Passe longe!

 

17) Qual seu documentário preferido?

Meu documentário preferido é Pronto-Socorro: Histórias de Emergência que acompanha os médicos e enfermeiros que trabalham no pronto-socorro e junto com eles presenciamos os mais bizarros e aleatórios casos que aparecem no hospital.

 

18) Você já bateu palmas para um filme ao final de uma sessão?  

Sim! Costumo muito fazer isso, principalmente quando vi Bohemian Rhapsody, aplaudindo e chorando.

 

19) Qual o melhor filme com Nicolas Cage que você viu?

Quando criança eu adorava Motoqueiro Fantasma haha, mas o melhor filme com o Cage pra mim é o A Outra Face (1997), gostei bastante de vê-lo com o John Travolta.

 

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'Vípuxovuko – Aldeia' [Fest Aruanda 2025]

Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda , com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra. Selecionado para a mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Fest Aruanda 2025, a obra avança nas suas críticas sociais, muito bem articuladas a partir de um protagonista de raízes indígenas, que escapa de generalizações. Ele trabalha como entregador e também exerce a função de líder de sua comunidade, reivindicando direitos e protegendo seu povo das ações desenfreadas dos mecanismos do Estado.    A cultura indígena ganha registros através da fé, da cultura, da tradição e da preservação desses povos originários, que em muitos casos estão sempre na luta pela continuid...

Crítica do filme: 'Apocalipse Segundo Baby' [Festival É Tudo Verdade 2026]

Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Se você ouvir esse nome por aí, talvez não sabia de quem se trata. No entanto, se falarmos Baby do Brasil – ou mesmo Baby Consuelo, como foi conhecida boa parte de sua carreira - as lembranças logo chegam. 18 anos depois do início do projeto, o documentário Apocalipse Segundo Baby, chegou às telonas brasileiras antes da sua estreia em circuito, através do Festival É Tudo Verdade. Com roteiro e direção de Rafael Saar , a obra toma um rumo corajoso desde seu início, fugindo de referências documentais conhecidas para se chegar em uma narrativa intensa, cheia de imagens e movimentos. Essa busca pela originalidade, na tentativa de traduzir o abstrato de uma personalidade plural, marcada por autorreflexões de Baby, segue apenas por essa perspectiva, com a ajuda de registros de apresentações marcantes. De Niterói a Salvador, passando por uma experiência marcante em Santiago de Compostela - ex-integrante do grupo Novos Baianos, que alcançou o sucesso a...

Crítica do filme: 'Zico, o Samurai de Quintino'

Um craque como poucos, dentro e fora de campo. Se você acompanha futebol - ou não -, já ouviu falar de Zico, um dos maiores camisas 10 da história do futebol mundial. Muito associado à nação rubro-negra, sua idolatria transborda para torcedores de outros times e outros países. Um figura exemplar, que preencheu páginas gloriosas desse esporte que é uma paixão nacional. Hoje, aos 73 anos, o galinho de quintino tem recortes de sua vida apresentados ao público no documentário Zico, o Samurai de Quintino , com estreia marcada para o próximo dia 30 de abril nos cinemas. Dirigido por João Wainer , o projeto busca um olhar amplo, construído desde seus primeiros passos na carreira até sua passagem pelo Japão, mostrando sua importância para a profissionalização do futebol naquela região – um legado visto até hoje -, com um recheio saboroso revisitando sua história profissional no Brasil.    O documentário segue por um modelo narrativo convencional, sem se arriscar, com entrevistas e...