Pular para o conteúdo principal

E aí, querido cinéfilo?! - Entrevista #147 - Clara Mafra


O que seria de nós sonhadores sem o cinema? A sétima arte tem poderes mais potentes do que qualquer superman, nos teletransporta para emoções, situações, onde conseguimos lapidar nossa maneira de enxergar o mundo através da ótica exposta de pessoas diferentes. Por isso, para qualquer um que ama cinema, conversar sobre curiosidades, gostos e situações engraçadas/inusitadas são sempre uma delícia, conhecer amigos cinéfilos através da grande rede (principalmente) faz o mundo ter mais sentido e a constatação de que não estamos sozinhos quando pensamos nesse grande amor que temos pelo cinema.

 

Nossa entrevistada de hoje é cinéfila, de São Paulo. Clara Mafra é Designer de moda e pós graduada em cinema, apaixonada por direção de arte e fotografia. Diretora de Conteúdo do Cine.cor (instagram @cine.cor).

 

1) Na sua cidade, qual sua sala de cinema preferida em relação a programação? Detalhe o porquê da escolha.

Moro em São Paulo e aqui temos algumas opções bem bacanas de cinema, tanto em shoppings quanto na rua. O cinema que mais gosto é o Espaço Itaú de Cinema, pois encontro muitas opções de filmes diferentes e em sua maioria de ótima qualidade.

 

2) Qual o primeiro filme que você lembra de ter visto e pensado: cinema é um lugar diferente.

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain de Jean- Pierre Jeunet.

 

3) Qual seu diretor favorito e seu filme favorito dele?

David Fincher. E o filme que mais gosto dele é o Seven.

 

4) Qual seu filme nacional favorito e porquê?

É O Auto da Compadecida do Gael Arraes, pois faz uma mistura visual de vários pedidos artísticos brasileiros (e mundiais), evidencia problemas sociais muito presentes no nosso país, é escrito e dirigido de forma simples, acessível e ainda consegue ser comercial.

 

5) O que é ser cinéfilo para você?

Pra mim ser cinéfilo é mais que ter uma bagagem grande de cinema, é se interessar e se aprofundar em assuntos teóricos sobre os temas que cada filme propõe.

 

6) Você acredita que a maior parte dos cinemas que você conhece possuem programação feitas por pessoas que entendem de cinema?

Não acredito.

 

7) Algum dia as salas de cinema vão acabar?

Acredito que o cinema como conhecemos hoje venha a mudar bastante. Não acho que possa acabar, mas sim se transformar para se adequar às novas exigências do público.

 

8) Indique um filme que você acha que muitos não viram mas é ótimo.

Um Conto Chinês dirigido por Sebastián Borenstein. Uma comédia inteligente que conta de forma bem humorada uma história sobre comunicação e choque entre diferentes culturas.

 

9) Você acha que as salas de cinema deveriam reabrir antes de termos uma vacina contra a covid-19?

Acho que não.

 

10) Como você enxerga a qualidade do cinema brasileiro atualmente?

Acho o cinema brasileiro muito diverso e polarizado. De um lado vemos (uma maioria de) produções que se encaixam em padrões comerciais para agradar a massa, muitas vezes produzidos pela mesma empresa e de outro temos obras maravilhosas, que muitas vezes estão "escondidas", pois os recursos são limitados para produção e distribuição.

 

11) Diga o artista brasileiro que você não perde um filme.

Selton Mello.

 

12) Defina cinema com uma frase:

É a arte sensorial da emoção e da narrativa.

 

13) Conte uma história inusitada que você presenciou numa sala de cinema.

Pensei, pensei e nada! Acho que fico tão focada no filme que nem me toco do que se passa ao redor.

 

14) Defina 'Cinderela Baiana' em poucas palavras...

Não vi, não posso opinar.

 

15) Muitos diretores de cinema não são cinéfilos. Você acha que para dirigir um filme um cineasta precisa ser cinéfilo?

Acho que para apenas dirigir um filme é necessário mais conhecimento técnico do que propriamente uma bagagem cinematográfica. Porém, para dirigir de forma esplêndida, é necessário ter uma bagagem de filmes muito grande, pois a criatividade e a criação geralmente são frutos de inspirações e referências do que foi tentado anteriormente. Além disso, a observação e análise crítica são muito importantes.

 

16) Qual o pior filme que você viu na vida?

The Room.

 

17) Qual seu documentário preferido?

O Sal da Terra de Win Wanders e Juliano Salgado.

 

18) Você já bateu palmas para um filme ao final de uma sessão?  

Não me lembro, acredito que não.

 

19) Qual o melhor filme com Nicolas Cage que você viu?

O Senhor das Armas.

 

20) Qual site de cinema você mais lê pela internet?

Costumo ler o cinemascope, cinema com rapadura e jovem nerd.

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'Vípuxovuko – Aldeia' [Fest Aruanda 2025]

Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda , com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra. Selecionado para a mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Fest Aruanda 2025, a obra avança nas suas críticas sociais, muito bem articuladas a partir de um protagonista de raízes indígenas, que escapa de generalizações. Ele trabalha como entregador e também exerce a função de líder de sua comunidade, reivindicando direitos e protegendo seu povo das ações desenfreadas dos mecanismos do Estado.    A cultura indígena ganha registros através da fé, da cultura, da tradição e da preservação desses povos originários, que em muitos casos estão sempre na luta pela continuid...

Crítica do filme: 'Apocalipse Segundo Baby' [Festival É Tudo Verdade 2026]

Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Se você ouvir esse nome por aí, talvez não sabia de quem se trata. No entanto, se falarmos Baby do Brasil – ou mesmo Baby Consuelo, como foi conhecida boa parte de sua carreira - as lembranças logo chegam. 18 anos depois do início do projeto, o documentário Apocalipse Segundo Baby, chegou às telonas brasileiras antes da sua estreia em circuito, através do Festival É Tudo Verdade. Com roteiro e direção de Rafael Saar , a obra toma um rumo corajoso desde seu início, fugindo de referências documentais conhecidas para se chegar em uma narrativa intensa, cheia de imagens e movimentos. Essa busca pela originalidade, na tentativa de traduzir o abstrato de uma personalidade plural, marcada por autorreflexões de Baby, segue apenas por essa perspectiva, com a ajuda de registros de apresentações marcantes. De Niterói a Salvador, passando por uma experiência marcante em Santiago de Compostela - ex-integrante do grupo Novos Baianos, que alcançou o sucesso a...

Crítica do filme: 'Zico, o Samurai de Quintino'

Um craque como poucos, dentro e fora de campo. Se você acompanha futebol - ou não -, já ouviu falar de Zico, um dos maiores camisas 10 da história do futebol mundial. Muito associado à nação rubro-negra, sua idolatria transborda para torcedores de outros times e outros países. Um figura exemplar, que preencheu páginas gloriosas desse esporte que é uma paixão nacional. Hoje, aos 73 anos, o galinho de quintino tem recortes de sua vida apresentados ao público no documentário Zico, o Samurai de Quintino , com estreia marcada para o próximo dia 30 de abril nos cinemas. Dirigido por João Wainer , o projeto busca um olhar amplo, construído desde seus primeiros passos na carreira até sua passagem pelo Japão, mostrando sua importância para a profissionalização do futebol naquela região – um legado visto até hoje -, com um recheio saboroso revisitando sua história profissional no Brasil.    O documentário segue por um modelo narrativo convencional, sem se arriscar, com entrevistas e...