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Crítica do filme: 'Mank'


A lealdade cega pode se tornar sufocante. Produzido pela Netflix e bastante cotado para indicações nas próximas grandes cerimônias de cinema, o novo trabalho do ótimo cineasta David Fincher (Seven, A Rede Social, Clube da Luta...) é um projeto muito interessante, onde  cinéfilos se divertirão pois fala sobre bastidores da maior indústria de cinema do mundo e mais especificamente curiosidades sobre a criação do roteiro de um dos mais aclamados filmes de todos os tempos. Com idas e vindas, com direito a generosos flashbacks e uma trama pincelada por arcos descritos como textos de roteiro há muito mais para refletirmos além dos porquês de Cidadão Kane: As teorias do futuro do cinema para as pessoas da época, As hipocrisias de um mercado capitalista que sempre esteve acima da arte, revoluções e reviravoltas em diversos pontos de ebulições em uma indústria e sua eterna roda gigante de ego e ganância pelos que defendem a interesse de poderosos. Ótima direção de Fincher, grande atuação de Gary Oldman.


Na trama, conhecemos Herman Mankiewicz (Gary Oldman), ou apenas Mank, um influente roteirista da década de 30/40, falador, dono de uma bebedeira suicida, viciado em jogos que influencia e acaba sendo influenciado por nomes poderosos de uma época que pega quase a transição do cinema mudo para o cinema falado e onde os grandes roteiristas começaram a surgir. Quando Orson Welles (Tom Burke) chama o protagonista para criar um roteiro, somos testemunhas entre flashbacks e inspirações sobre o processo criativo do ganhador do Oscar de Melhor Roteiro em 1941, Cidadão Kane. 

 

A narrativa é um grande círculo, como uma rosquinha de canela. O P&B dá um charme e nos leva até as décadas de 30/40, como não amar entrar em um estúdio grandioso do início do outro milênio e conhecer novas curiosidades sobre a bilionária indústria cinematográfica norte-americana. O eterno jogo de interesses de qualquer negócio, artistas, executivos, o amor pela arte flutua em linhas tênues entre status, poder e prazer. As linhas de diálogos, as situações criadas, o papel do roteirista é o grande foco por aqui (sobre o tema roteiristas, o ótimo Trumbo (de Jay Roach) também é uma boa dica) e dentro das reflexões apresentadas pelo protagonista, um eterno observador das ações e da alma humana, fico com uma que se torna um grande decifrador de toda essa jornada: Você não pode captar a vida inteira de um homem em duas horas, no mínimo deixa uma impressão.

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