Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'O Céu da Meia-Noite'


As surpresas do mundo causadas por nós mesmos. Dirigido e estrelado por George Clooney, com roteiro assinado por Mark L. Smith, baseado na obra 'Good Morning, Midnight' de Lily Brooks-Dalton, O Céu da Meia-Noite é sobre duas histórias que correm em paralelo, uma na terra, uma no céu, mas que possuem lá suas interseções. Apocalipse, o sentido da vida, escolhas que devemos fazer, o projeto engatinha lentamente para reflexões sobre a existência através de melancólicos personagens que estão à beira de seus limites emocionais. Disponível no catálogo da Netflix, o roteiro acaba sendo o grande calcanhar de aquiles do projeto que produz arcos pouco satisfatórios e sem muita profundidade, deixando lacunas diversas pelo caminho o que nos faz ficar perdido a todo instante. O Céu da Meia-Noite é, sem dúvidas, uma das grandes decepções do ano.


Na trama, conhecemos um homem chamado Augustine (George Clooney) que resolve ficar isolado em uma base científica para tentar contato com a única nave que ainda está fora da Terra em expedição, já que o planeta entrou em colapso apocalíptico e os que buscam sobreviver estão indo para abrigos subterrâneos mas alguém precisa avisar aos integrantes dessa nave sobe o estado da Terra. Assim, vamos percorrendo duas histórias, a desse homem em busca do seu ato heroico e da tripulação da nave que busca o entendimento sobre o que está acontecendo e o porquê não conseguem contato com ninguém do centro de controle da expedição na Terra. Há alguns porquês pelo caminho e aos poucos vamos entendendo partes dessas histórias.


Falar sobre melancolia não é uma coisa fácil, ainda mais quando não se adentra assuntos que indicariam causas para nós entendermos as consequências. Clooney tem uma direção competente, mas só isso não basta. A monotonia do roteiro meio que engessa nosso pensar pois tudo que podemos refletir ao longo das duas horas de projeção é sobre a existência mas os subtópicos dela não são passados a limpo. Um fato que incomoda é o porquê da situação da terra no filme, não sei se é algum segredo escondido para uma provável continuação (teoria forte com os finais abertos) mas era algo importante para entendermos melhor o drama dos personagens.

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Criaturas do Farol'

As dúvidas sobre o canto da sereia. Se perdendo em alguns momentos entre os achismos que surgem naturalmente numa relação desconfiada entre duas pessoas que nunca se viram, o longa-metragem Criaturas do Farol é um peculiar suspense psicológico com poucas perguntas e também poucas respostas. O roteiro se fortalece em diálogos que nos guiam para uma jornada emocional e paranoias que prendem a atenção na maior parte do tempo mas não chegam a empolgar. Pensando em realizar um objetivo náutico, que remete lembranças ao pai e apoiada pelo avô, a jovem Emily ( Julia Goldani Telles ) parte com seu veleiro rumo às infinidades dos oceanos. Chegando no sul do pacífico, a embarcação é atingida por uma tempestade e acaba indo parar numa ilha onde é resgatada pelo faroleiro Ismael ( Demián Bichir ). Logo essa relação de gratidão passará por enormes desconfianças. Como contar uma história que está em uma bolha no campo das suposições? A tensão por meio do chocalhar psicológico se torna um corpul...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...