Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: ' 14 jours, 12 nuits'


O amor de mãe a as suas congruências ao amor de quem cuida. Indicado do Canadá ao Oscar 2021, 14 jours, 12 nuits, nos faz refletir sobre o que podemos fazer após uma tragédia para seguir em frente (luto). Mostrando as belezas do Vietnã, muito de sua cultura, sob o olhar de uma canadense em uma ‘missão’, o longa-metragem definido com linhas temporais quase paralelas que nos explicam as razões e objetivos da protagonista, mesmo assim, possui momentos que precisamos ler as entrelinhas. Com uma melancólica trilha sonora de fundo,  vamos acompanhando melhor parte de histórias que se cruzam e sabemos melhor sobre a rigidez de um mundo que também tem o direito de viver sua liberdade. Dirigido por Jean-Philippe Duval, com roteiro assinado por Marie Vien.


Na trama, conhecemos Isabelle (Anne Dorval) uma mulher que sofre com os abalos de uma tragédia. Em paralelas passagens de tempo, acompanhamos essa oceanógrafa canadense que adota uma criança no Vietnã no início dos anos 90. Só que tempos depois descobrimos que algo acontece com a criança, fazendo ela retornar a cidadã natal dela. Nessa ida até o Vietnã, algo para superar o luto, acaba encontrando a mãe biológica da criança, a guia turística Thuy (Leanna Chea). Logo de cara não se identifica e acaba criando uma amizade com ela, assim, precisará encontrar o melhor momento para contar a verdade.


Os diálogos entre duas mães de uma mesma criança. Essa premissa é poderosa e acaba retratando muito bem o que acompanhamos em cerca de 100 minutos de projeção. As belas paisagens do Vietnã transformam toda a jornada em algo muito bonito de se ver, a questão do luto em duas formas diferentes é bastante interessante. Quase caindo em uma série de clichês provocados pelas iminências do seu contexto inicial, o projeto usa do recurso das linhas temporais para explicar ao espectador os porquês do abandono da criança por Thuy e o que houve com a criança quando já estava grande e aos cuidados de Isabelle. Também podemos imaginar, ou melhor, refletir sobre a questão do perdão incluso nas narrativas das duas mulheres só que de formas bem diferentes.


Sem previsão de estreia no Brasil, 14 jours, 12 nuits, belissimamente dirigido por Duval é um belo retrato sobre a força de ser uma mãe em um mundo tão cheio de obstáculos, onde, as escolhas que tomamos podem influenciar muito ao nosso redor e as gerações seguintes.  

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...

Crítica do filme: 'Matar Jesus'

Os questionamentos ao poder, a inconsequente justiça com as próprias mãos. Exibido no Festival de Toronto no ano de 2017, Matar Jesus , escrito e dirigido pela cineasta Laura Mora Ortega é um recorte impactante de um choque entre dois mundos, duas realidades dentro de uma mesma cidade. Uma tragédia inesperada. Uma família em dúvidas sobre o futuro em uma cidade tomada pela criminalidade. Uma jovem em busca de respostas e justiça. Um filme que gera uma dezena de reflexões. Potente fita colombiana. Na trama, conhecemos a jovem e alegre Lita ( Natasha Jaramillo ), estudante de fotografia, universitária, que tem uma grande admiração pelo pai, um professor universitário. Certo dia, após voltar para casa de carona com seu pai Lita presencia o terrível assassinato do mesmo por dois bandidos em uma moto. O tempo passa e Lita parece estar perdida com a absurda falta de sensibilidade da polícia local e sem nenhuma notícia sobre a justiça no caso. Dois meses após a tragédia, em uma boate, acab...