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Crítica do filme: 'Breve Miragem do Sol'


Um recorte da melancolia do cotidiano de um trabalhador brasileiro. Após o ótimo Transeunte de 2010 e elogiados documentários, o cineasta Eryk Rocha volta aos longas-metragens de ficção com um drama de um homem que luta contra seu desespero interno longe de seu filho em busca de um recomeço em sua vida trabalhando como taxista em uma das mais badaladas cidades do mundo. Rodando entre vários bairros emblemáticos do Rio de Janeiro, o protagonista luta por dias melhores na loucura urbana de uma grande cidade onde se depara com pessoas trabalhadoras, simpáticas, mas também com playboys marrentos e encrenqueiros. Mais um grande trabalho de Rocha, um olhar bastante marcante sobre observadores urbanos.


Na trama, conhecemos Paulo (Fabrício Boliveira), um homem que leva sua vida totalmente em foco par ao trabalho como taxista, trabalhando de noite, faça chuva, faça sol. Ele tem um filho de 10 anos que está morando com a mãe desde quando essa resolveu se separar dele. Lutando por dias mais vencedores já que aluga o táxi e muito do que arrecada vai para pagar esse aluguel, Paulo encontra rostos novos em cada corrida pela cidade carioca. Até mesmo, encontra o amor na presença da enfermeira Karina (Bárbara Colen) em sua rotina. É uma análise profunda sobre um homem, seus desesperos e sua luta para ser feliz.


Taxistas, grandes observadores urbanos. O projeto tem poucos diálogos, joga entrelinhas no campo da observação, os espectadores são os olhos do protagonista quando esse olha para a cidade e vê todo tipo de pessoas e situações. Há uma reflexão importante sobre a profissão de Paulo (igual a de tantos milhares de outros na realidade), desabafos dos amigos taxistas no bar tomando um café é algo que faz parte do cotidiano carioca, assim entendemos melhor sobre as dificuldades numa profissão pouco valorizada e muitas vezes não tão rentável, principalmente quando você não tem seu próprio carro para rodar.


A melancolia embutida no olhar de Paulo (grande interpretação de Boliveira) é algo profunda, comovente. Podemos parar e pensar quantos Paulos temos do lado de cá da telona, vivendo para sobreviver sem nem ter a chance de pensar em coisas melhores dentro de uma cidade que suga nossas energias muitas vezes.  

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