Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Tribu Urbana Dance'


A superfície de assuntos reflexivos. De maneira bem simples e passando as vezes por comédia boba e sem sal, Tribu Urbana Dance, dirigido pelo cineasta Fernando Colomo e disponível no catálogo da Netflix é a saga escrachada de um homem e seus conflitos em paralelo a uma mãe batalhadora, que adora dançar na terceira idade e com a oportunidade de se redimir de um passado com uma escolha infeliz. Produção espanhola, o projeto busca as reflexões sobre escolhas e família ao mesmo tempo que exagera nos clichês como distração.


Na trama, conhecemos um funcionário de alto escalão de uma grande empresa chamado Fidel (Paco León) que demitiu centenas de pessoas e na mesma semana tem a carreira praticamente encerrada, e jogada ao ridículo, por ser pego no flagra com a estagiária. Além disso, tudo, resolve ir procurar a mãe biológica e acaba sendo atropelado perdendo momentaneamente a memória. Assim, acaba caindo de paraquedas na vida dela, Virginia (Carmen Machi), sua mãe que se divide entre os serviços em hotel, o sustento dos outros dois filhos e as divertidas aulas de dança com as amigas.


Temos que dividir o roteiro em dois focos, o protagonista e a protagonista. A desconstrução do primeiro é feita de maneira exagerada, sonolenta e sem nenhuma profundidade. A construção da segunda é muito interessante, mostrando toda a luta de uma mãe que busca a felicidade na dança, mesmo sendo infeliz com o destino dos filhos preguiçosos e do outro que abandonara quando criança. A segunda chance que ambos conseguem em suas vidas acaba fazendo-os chegar até a interseção desse encontro recheado de cenas cômicos forçadas que as vezes até atrapalham uma boa reflexão sobre as atitudes.

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...

Crítica do filme: 'Matar Jesus'

Os questionamentos ao poder, a inconsequente justiça com as próprias mãos. Exibido no Festival de Toronto no ano de 2017, Matar Jesus , escrito e dirigido pela cineasta Laura Mora Ortega é um recorte impactante de um choque entre dois mundos, duas realidades dentro de uma mesma cidade. Uma tragédia inesperada. Uma família em dúvidas sobre o futuro em uma cidade tomada pela criminalidade. Uma jovem em busca de respostas e justiça. Um filme que gera uma dezena de reflexões. Potente fita colombiana. Na trama, conhecemos a jovem e alegre Lita ( Natasha Jaramillo ), estudante de fotografia, universitária, que tem uma grande admiração pelo pai, um professor universitário. Certo dia, após voltar para casa de carona com seu pai Lita presencia o terrível assassinato do mesmo por dois bandidos em uma moto. O tempo passa e Lita parece estar perdida com a absurda falta de sensibilidade da polícia local e sem nenhuma notícia sobre a justiça no caso. Dois meses após a tragédia, em uma boate, acab...