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Crítica do filme: '4 x 100 - Correndo por um Sonho'


Vencer é aprender a não ficar refém de medos. Chegando aos cinemas no próximo dia 24 de junho, o longa-metragem brasileiro 4 x 100 - Correndo por um Sonho busca nos apresentar um raio-x sobre conflitos, dramas e escolhas de integrantes de uma equipe de revezamento que busca representar o seu país no tão sonhado Jogos olímpicos. É válida a tentativa de mostrar as questões sobre situações que passam as mulheres no esporte, pena que as subtramas são rasas, superficiais, com arcos pouco desenvolvidos. Nas questões que se desenvolvem, muito por estarem dentro do clímax, acabam ficando em loop infinito em discursos redundantes. Parece uma sonolenta panfletagem da ‘magia’ dos jogos olímpicos dentro de um contexto conflituoso no universo competitivo de uma das únicas modalidades onde o seu resultado depende dos outros.


Na trama, dirigida pelo cineasta Tomás Portella, com roteiro de Mauro Lima, acompanhamos cinco integrantes que fazem parte do revezamento 4x100 feminino do Brasil com chances de medalhas em competições, principalmente na Olimpíada. Mas há um certo problema entre duas dessas integrantes, Maria Lúcia (Fernanda de Freitas) e Adriana (Thalita Carauta), por conta de um assunto nunca exposto mas que ambas passaram nos jogos olímpicos de quatro anos atrás. Durante o tempo que passou entre as olimpíadas, Maria virou estrela do esporte na mídia enquanto Adriana buscou outros ares no esporte entrando para o MMA. Agora, reunidas novamente, precisarão juntar forças para levar o time brasileiro feminino de revezamento no atletismo às medalhas em Tóquio.


Até que ponto um atleta entende outro atleta? Além de Maria Lúcia e Adriana, as outras integrantes sofrem também com seus próprios dramas. A questão do dopping, do treinamento árduo, as frustrantes tentativas de patrocínio para atletas que estão começando ou não são estrelas de publicidade com reais chances olímpicas, questões que envolvem relacionamentos amorosos com dificuldade de entendimento, no medo da decepção em um grande evento. Pena que o foco cisma em não sair do embate das atletas que possuem um conflito entre si, deixando o desenvolvimento dessas outras subtramas importantes distantes de uma profundidade. Era um bom palco para debates sobre um leque maior de conflitos que vivem atletas não são pelo Brasil mas no mundo todo.  


O que importa é o que você parece ser. A pretensão de ser um filme com um drama profundo acaba gerando uma série de cenas isoladas como se estivéssemos montando um quebra-cabeça que faltam peças ou jogando batalha naval e nunca acertando os navios do adversário. Frases de efeito parecem ter sido tiradas de livros de autoajuda ou mesmo de palavras ditas por grandes treinadores de várias modalidades espalhadas pelo universo dos esportes, deixando quase robótico alguns desses diálogos. O local sagrado de todo o atleta, o vestiário antes das competições, tenta ser o palco para os diálogos mais profundos mas não acontece.


A panfletagem da magia dos jogos olímpicos cai por terra no atual momento que o mundo vive, com a polêmica sobre a permanência da data dos jogos desse ano mesmo o mundo ainda em altos índices de problemas por conta da Pandemia.

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