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Crítica do filme: 'Äiti''


O medo do confrontar para se achar algum oásis dentro dos porquês. Há uma hipocrisia em uma sociedade que não aceita perdoar? Fazendo refletir sobre várias questões existenciais mesmo tendo o foco completo em uma introspectiva protagonista que carrega uma enorme culpa nas costas, Äiti, filme finlandês caminha sobre os reflexos da hipocrisia dentro de uma angústia profunda que dita o compasso de todo o desenrolar que vemos. Mesmo não estando escancarada, o filme pergunta a todo instante o que diabos aconteceu no dia da tragédia que passa a personagem principal mesmo que seu roteiro deixe essa questão, para alguns, importante, em segundo plano. Um belo trabalho, escrito e dirigido pelo cineasta finlandês Samppa Batal.


Na trama, conhecemos Eeva (Jaana Saarinen), uma mulher que sai da prisão após ser acusada de cometer um crime. No início não sabemos direito sobre essa mulher, conforme o tempo passa acompanhamos sua luta para um encontro com sua filha, os confrontos com vizinhos e pessoas que acompanharam anos atrás a tragédia que marcou para sempre a sua vida.  Sendo explusa de hotel, e quase não conseguindo nenhum bico para se sustentar, a única pessoa que a trata bem é o seu novo empregador, que passou por um trauma ligado à mãe anos passados e talvez por isso consiga se conectar com a história e principalmente a busca da protagonista numa melhor relação com a filha.


Talvez você não a queira como sua mãe mas você é filha dela. Esse embate sobre a questão acontece mais nos pensamentos e novas descobertas da protagonista, reunindo em ações quase desesperadas todo o sentimento de saudade que sente por sua filha. Entendemos melhor isso quando descobrimos o que ocorreu para ela ser presa e ficar tanto tempo longe da filha. Buscando se reestabelecer na sociedade após sair da prisão condenada por assassinato o marido acaba descobrindo que não para de ser Julgada dentro de uma pena sem fim, jogada para escanteio pelos que conheceram a tragédia. Esse arco, bastante composto de reflexões, acaba nos levando a uma jornada amargurada nos fazendo refletir sobre segundas chances.



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