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Crítica do filme: 'Moulin Rouge' (Review Anos 2000)


Dinâmico, objetivo, empolgante. No início dos anos 2000, o cineasta australiano Baz Luhrmann trouxe para os cinemas uma obra que fala sobre o amor em um contexto de outros séculos, por dentro da boemia e das questões que se amontoam sobre as classes sociais. Moulin Rouge, possui um narrador personagem detalhista, engraçado, atrapalhado, apaixonado, que transforma sentimentos em palavras. Seguindo lema de que: ‘A grande coisa que aprenderá na vida é amar’, somos testemunhas do contraponto do mágico com o trágico numa Paris quase em 1900. Protagonizado por Nicole Kidman e Ewan McGregor, esse musical está guardado nos corações de muitos cinéfilos.


Na trama, conhecemos o sonhador Christian (Ewan McGregor), um homem que passou a vida toda tendo discussões com o pai sobre as questões das emoções e principalmente sobre o amor. Um dia resolve abandonar a família e partir rumo à Paris, empolgado com a descoberta da boemia do lugar, propícia para um futuro escritor, seu grande sonho. Nesse lugar existe Moulin Rouge, uma casa noturna, uma danceteria, uma casa de shows, um bordel. Fascinado, acaba deixando se levar pelo maior dos sentimentos, o amor, quando conhece o diamante cintilante, a grande estrela do lugar, Satine (Nicole Kidman). Mas nada será fácil para esses doid pombinhos, precisarão enfrentar a desconfiança do dono do lugar Harold Zidler (Jim Broadbent) e de outro pretendente a conquistar o coração da dama, o duque (Richard Roxburgh).


Beleza, liberdade, amor! Você pode pensar sobre esse filme por diversas óticas. Um choque de classes no mesmo lugar, ricos, poderosos, meros trabalhadores esforçados que ganham pouco, todos em busca dos prazeres desse lugar; o entorno, um reduto da Boemia, da busca pela liberdade de expressão com gritos de revolução, a ganância no ponto de vista de Zidler; a arrogância do duque e enfim sobre as linhas complicadas de uma história de amor proibida que ganha ares grandiosos por meio de canções dançantes, muitas adaptações que preenchem cada espaço na arte de empolgar o espectador. Sobre essa parte musical, o projeto busca expressar sentimentos pelas canções, que são ótimas, diga-se de passagem, até o clássico Your Song de Elton John ganha uma linda versão. Até o tango ganha espaço, na canção Roxanne do The Police com uma chamativa rouquidão acoplada.


Qual seria a voz dos filhos da revolução? Como nos contos clássicos da literatura, a tragédia flerta com o amor. O sonhador praticamente imaturo sobre a vida e uma cortesã, paga para fazer os homens se divertirem. O choque entre esses dois mundos vira o frequente clímax, dentro de um imaginativo universo, em passagens de arcos que às vezes parecem videoclipes mas não deixam de conquistar nossos corações.

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