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Crítica do filme: 'Nós Passarinhos'


Será que a felicidade se ganha com dinheiro? Já guardei centavos debaixo do travesseiro. Os tempos de pandemia ganham contornos cirúrgicos nesse pequeno grande filme que faz parte do ótimo catálogo de seleção do CineBH 2021. Nós Passarinhos, longa-metragem dirigido por Antonio Fargoni, na linha entre a ficção e uma experiência de documentário nos apresenta de maneira simples e objetiva um retrato intimista, delicado, sobre a vida de algumas pessoas no interior e na Grande São Paulo e as dores e as angústias por conta da crise que caiu no planeta, modificando modos de pensar, de trabalhar, até mesmo de agir de milhões pelo mundo à fora.


Acompanhamos a saga de algumas pessoas e suas interações, muito ligadas na emoção, sobre os novos tempos em dias de Covid-19 em circulação. Há um exemplo de muitos nos personagens. Há a reflexão sobre a solidão, aquele aniversário que precisa ser comemorado à distância, o trabalho artesanal como força de arrecadação de algum dinheiro, o batalhador que precisa do dinheiro e se expõe em tempos de pandemia com seu uber tendo poucos passageiros, muitos são os exemplos que poderíamos encontrar em muitas casas por aí.


Os personagens, seja por meio da solidão, seja por meio de interação com outros que nem vemos os rostos refletem sobre a vida e quase como um contexto permanente sobre os dias pandêmicos e o que muitos estão pensando e agindo durante esse período. Através de amigos, familiares via ligação no celular em vídeo ou chamadas tradicionais, ou mesmo pelo televisor ligado quase sem interação trazendo as últimas notícias sobre como anda o mundo nesses tempos. As dores da saudade em um dos momentos mais inesperados que o mundo que conhece passa chega forte na emoção. No carro do motorista curta-metragista, entram pessoas de todos os modos de pensar. Passa em frente ao maravilhoso CineSesc na Rua Augusta. Na cinemateca brasileira, ouvimos o relato de um funcionário e sabemos mais claramente sobre a situação do maior acervo da américa Latina. Em outro momento, o motorista se nega a levar um homem que queria entrar em seu veículo sem a máscara, entre outros olhares que acompanhamos.


Nós Passarinhos sem pretensão nenhuma acaba ganhando espaço em nossas reflexões sobre esse tempo que todos nós vivemos.

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