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Crítica do filme: 'No Ritmo do Coração'


É possível remakes serem tão bons quanto os originais! Indicado a três Oscars em 2022, chegou à plataforma da Amazon Prime Video nesse primeiro semestre um emocionante filme que adapta toda a ternura e harmonia do seu original francês.  No Ritmo do Coração aborda temas importantes sobre família, inclusão social, desafios no trabalho, as escolhas da vida no choque entre sonhos e realidade. Dirigido pela cineasta Sian Heder, em seu segundo longa-metragem na carreira, o projeto promete emocionar com suas linhas mensagens nas entrelinhas. A britânica Emilia Jones brilha como a protagonista, assim como Troy Kotsur que interpreta seu pai.


Na trama, conhecemos a família Rossi. No centro das atenções e grande protagonista da trama está Ruby (Emilia Jones) uma jovem esforçada que alterna entre o trabalho em um barco pesqueiro com o pai e o irmão pelas manhãs e em seguida corre para ter aulas no colégio. Ela é a única não muda de sua família, condições que a faz ser super importante para a rotina de todos da casa, praticamente uma intérprete dos seus parentes com os que os cercam. Seu pai (Troy Kotsur) é um esforçado trabalhador que busca melhores condições no concorrido trabalho das pescas, seu irmão Leo (Daniel Durant) está naquela fase onde se dedica integralmente ao lado profissional mas sem deixar brechas para o amor, sua mãe Jackie (Marlee Matlin) é o ponto de apoio a todos ajudando no dia a dia e em questões do trabalho que sustenta a família. Quando Ruby percebe que tem chances numa carreira musical, a partir das aulas com o professor Bernardo (Eugenio Derbez), tudo o que a família tinha de alicerce acaba tendo que se adaptar para que o destino de Ruby não se perca.


A narrativa pode ser interpretada como simples, se as mensagens por completo não te alcançam, ou até mesmo complexa quando o olhar cinéfilo congela e reflete sobre as entrelinhas. O conflitos da protagonista são inúmeros, vão desde a adaptação da dependência que sua família tem na questão do comunicar que ela possui, até mesmo rasos conflitos sobre o primeiro amor, chegando na questão importante do estudo e do sonho. Engraçado em alguns momentos, como as ótimas tiradas do personagem Bernardo (interpretado pelo excelente ator mexicano Eugenio Derbez), o filme consegue ser profundo sem perder a leveza.


Concorrendo nas categorias de Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Filme e Melhor Ator Coadjuvante (Troy Kotsur, o primeiro ator mudo a ser indicado ao Oscar), Coda, no original, consegue algo muito raro em adaptações que é somar mais mensagens sem perder o brilho e força de uma história que é muito bem construída desde o original.

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