Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Jerry & Marge Go Large'


A boa sorte acontece do mesmo jeito que a má sorte. Inspirado em uma história real e disponível com exclusividade no catálogo da Paramount+, Jerry & Marge Go Large nos leva de maneira bem leve da matemática ao amor pelas linhas bem conhecidas dos conflitos existenciais, aqui exemplificado por um recém aposentado que de maneira quase inusitada encontra um novo sentido em sua vida. Dirigido pelo cineasta nova iorquino David Frankel (de sucessos como Marley & Eu), o longa-metragem de pouco menos de 100 minutos de projeção é estrelado pelos ótimos Bryan Cranston e Annette Bening.


Na trama, conhecemos Marge (Annette Bening) e Jerry (Bryan Cranston) um casal que está juntos faz anos e morando sempre no mesmo lugar na cidadezinha de Evart, no interior de Michigan. O segundo está a mais de quatro décadas acordando cedo, as vezes antes do sol nascer, trabalhando em uma fábrica de sucrilhos, um emprego que começou ainda quando estava no Ensino Médio. Quando chega a aposentadoria, após a linha de produção que gerenciava sair de linha, Jerry, buscando algum novo sentido para sua vida, acaba descobrindo uma brecha em apostas de bilhetes de loteria. Fato que mudará sua rotina, de sua família e de seus amigos.


Quando ninguém sabe o quanto que podemos. O filme nos leva para a reflexão da melhor idade, no pós aposentadoria quando precisamos de alguma forma preencher lacunas que antes eram cheias de compromissos profissionais. Encontrar um sentido para o viver é o caminho que muitos podem trilhar. Jerry é essa alma cheia de sonhos guardados no seu coração e na sua impressionante memória. Os conflitos matemáticos na verdade nunca foram seus verdadeiros conflitos, eram apenas diversão e empolgação para alguém que ama o universo dos cálculos e muitas vezes virava alguém incompreensivo. A questão aqui em foco acaba sendo o lado dos relacionamentos, o lado do conhecer as pessoas. Sempre foi sobre se conectar com as pessoas por meio de uma espécie de dom.


Ser a pessoa mais esperta da sala importa quando vivemos e pensamos na sociedade ao nosso redor? De maneira bem simples e colocando em evidência o fazer o bem e dando um tapa no egoísmo Jerry & Marge Go Large nos leva a uma viagem sobre os porquês da existência. Afinal, quando arriscamos, pode dar certo.



 

 

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...

Crítica do filme: 'Matar Jesus'

Os questionamentos ao poder, a inconsequente justiça com as próprias mãos. Exibido no Festival de Toronto no ano de 2017, Matar Jesus , escrito e dirigido pela cineasta Laura Mora Ortega é um recorte impactante de um choque entre dois mundos, duas realidades dentro de uma mesma cidade. Uma tragédia inesperada. Uma família em dúvidas sobre o futuro em uma cidade tomada pela criminalidade. Uma jovem em busca de respostas e justiça. Um filme que gera uma dezena de reflexões. Potente fita colombiana. Na trama, conhecemos a jovem e alegre Lita ( Natasha Jaramillo ), estudante de fotografia, universitária, que tem uma grande admiração pelo pai, um professor universitário. Certo dia, após voltar para casa de carona com seu pai Lita presencia o terrível assassinato do mesmo por dois bandidos em uma moto. O tempo passa e Lita parece estar perdida com a absurda falta de sensibilidade da polícia local e sem nenhuma notícia sobre a justiça no caso. Dois meses após a tragédia, em uma boate, acab...