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Crítica do filme: 'Ata-me!'


Os impulsos da mente longe do equilíbrio. Abordando a loucura e um curioso retrato da Síndrome de Estocolmo, Pedro Almodóvar escreve e dirige Ata-Me! seu último filme da década de 80. Estrelado por Antonio Banderas e Victoria Abril o longa-metragem contorna os transtornos obsessivos de um protagonista desequilibrado que busca suas afirmações no presente na figura de uma ex-atriz pornô por quem sente um amor impulsivo. Ao longo dos 101 minutos de projeção vamos percorrendo essa curiosa história sem deixar de refletir sobre tudo que acompanhamos pelo caminho.


Na trama, conhecemos Ricky (Antonio Banderas) um jovem sedutor que passou grande parte do seu tempo em vida em instituições psiquiátricas. Quando enfim consegue a liberdade, não pensa duas vezes e vai atrás de sua atual obsessão, Marina (Victoria Abril) uma ex-atriz pornô que está atualmente rodando um longa-metragem. A perseguição começa e logo Ricky consegue prender Marina em seu próprio prédio buscando durante dias fazer com que ela o aceite como seu amado.


Há uma tentativa de preenchimento de lacunas sobre a personalidade de Ricky (principalmente no desfecho), o que pode ser considerado como algo simplista se levarmos e conta todo o contexto dos assédios cometidos. Sua afirmação, seu propósito de vida é ligado ao desejo que sente por aquela mulher. O descontrole é uma palavra chave para definição desse intrigante personagem. Desequilíbrio é outra. A síndrome de Estocolmo aqui é colocada como complemento, talvez até mesmo um fechamento de recorte psicológico da personagem Marina, uma mulher que sofre com o assédio (não só de Ricky) constantemente.


O uso da comédia não alivia o denso e profundo refletir sobre os assuntos que levanta essa poderosa fita do grande cineasta espanhol. Almodóvar usa o paralelo da loucura e do amor como se entrassem em choque, assim gerando argumentos para reflexões de diversas formas.



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