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Crítica do filme: 'A Casa'


Quando as emoções ficam à frente da razão. Imagina uma situação onde você tem uma vida confortável, uma família feliz, um apartamento luxuoso com uma vista maravilhosa, um emprego muito bom, só que em algumas semanas, como um efeito dominó, tudo isso se perde. No drama espanhol A CASA, escrito e dirigido pela dupla David Pastor e Àlex Pastor, nós somos testemunhas de um homem em espiral de inveja e loucura querendo tomar a vida de outra pessoa. Um suspense mesclado com drama que nos leva a pensar a todo instante sobre os seres humanos e suas fraquezas.


Na trama, conhecemos o publicitário Javier (Javier Gutiérrez), um homem que sempre teve bons empregos, morava em ótimos lugares que certo dia acaba perdendo todo esse status que conquistou após ser demitido e nunca mais conseguir um outro emprego muitas vezes por ser considerado velho demais para algumas empresas. Tendo que fazer uma nova engenharia financeira na sua vida, precisa vender o apartamento luxuoso que morava com a família. Só que os dias vão passando e Javier não consegue ficar longe do apartamento, inclusive invandindo-o várias vezes para saber mais detalhes da vida do novo morador, o vice-presidente de uma empresa de transportes Tomás (Mario Casas). Assim, começa uma obsessão que terá um destino trágico para alguns.


A parte psicológica bem detalhada do protagonista nos leva a uma jornada de reflexões. Javier não aceita de maneira nenhuma a perda de seu status profissional, de sua vida confortável. Como lidar com isso? Cheio de conflitos internos que vão muito além da inveja iminente, vemos isso na maneira como lida com o filho e a esposa no cotidiano, ultrapassa todos os limites embarcando em uma narrativa somente sua (oriundo do seu ar egoísta), não deixando rastros de lucidez em nenhum momento, se jogando na reta inconsequente onde se coloca em uma via unilateral extremamente cruel com os outros que na cabeça dele se tornam obstáculos no seu caminho.


Na outra parte dessa história vemos um homem buscando a redenção de seus traumas, um problema com álcool que quase acabou com seu casamento e o afastou de sua filha. Como vice-presidente da empresa comandada pelo pai da esposa, se vê exposto por ter esse cargo, em cotidianos tensos mas buscando soluções para não voltar à bebida, inclusive indo a um grupo de apoio para pessoas que sofrem do mesmo mal.


A Casa é um recorte de duas vidas, a reconstrução e a destruição, que acabam se chocando por conta da ambição e inveja sem limites de um protagonista consumido pelos seus sentimentos de reconquista, uma variável que usa a sociedade e a boa vontade como trampolim para sua jornada egoísta.



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