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Crítica do filme: 'O Último Poema do Rinoceronte'


Um amor, a inveja, uma separação abrupta, dolorosa, em tempos de uma revolução. Escrito e dirigido pelo cineasta iraniano Bahman Ghobadi, O Último Poema do Rinoceronte nos mostra uma triste história de um amor separado pela inveja tendo como plano de fundo a revolução do Irã em 1979 transformou o país de uma monarquia autocrática para em uma república islâmica teocrática. Ao longo dos intensos 88 minutos de projeção, vamos conhecendo uma história hipnotizante que lida de tragédias à poesia com um final emblemático.


Na trama, lançada no Brasil no ano de 2015, conhecemos Mina (Monica Bellucci) e Sahel (Caner Cindoruk/Behrouz Vossoughi) um casal apaixonado que vive juntos desde os tempos em que se conheceram na faculdade. Ele é um escritor, famoso por seus poemas, e junto de sua esposa vivem uma confortável vida. Eles tem um motorista que acaba desenvolvendo uma paixão não correspondida por Mina. Esse mesmo motorista se torna um revolucionário importante e que com a revolução que acontece na Irã em 1979 acaba ganhando status de poder. Ele executa um plano maligno, prendendo injustamente Mina e Sahel, ela por 10 e ele por 30 anos. O tempo passa e após sair da prisão Sahel vai atrás de seu amor que se mudou para Turquia e foi morar com ex-motorista que os prendeu.


Aqui o sofrimento é envolto de reflexões mas também mostra uma realidade arrepiante.   Preso injustamente por supostamente ter escrito poemas políticos, nosso primeiro olhar chega em duas linhas temporais para Sahel. Na primeira, um jovem de sucesso no seu trabalho, casado com a mulher que ama que vê tudo desmoronar pela inveja de um outro homem. No segundo momento enxergamos um homem já no fim de sua vida, com uma lacuna imensa não preenchida pelas três décadas de ficara preso. À beira de uma margem das águas de um mar ele observa no alto de uma montanha a nova casa de sua esposa sem saber direito o que fazer pois disseram a ela que ele havia morrido na prisão.


Mina é a outra parte dessa dolorosa trama. Na prisão, sofre uma violência atrás da outra. Fortes abalos emocionais, Mina é forçada a assinar o divórcio, é violentada, engravida, passa 10 anos presa, escutando barulhos ensurdecedores de torturas em outras celas. Vive por acreditar que um dia possa estar novamente com seu grande amor precisando viver os conflitos e os acaso que estão fixados em seu destino. A arte aqui acaba se tornando uma força para passar por esse momento extremo. O refletir sobre os poemas do marido acaba sendo o dispositivo de lembrança que guarda no seu pensamento.


O amor abstrato ligado à uma inveja sem tamanho é a mola propulsora das maldades do ex-motorista que virou líder de uma revolução. Um homem perturbado, obsessivo, que usa e abusa de seu poder para conseguir o que quer. Sua história acaba sendo o ponto de interseção, o ima de definição de destinos.


O Último Poema do Rinoceronte, belissimamente bem filmado constrói um forte elo entre sua trama e o espectador. Chega a ser hipnotizante. Um trabalho impecável de Bahman Ghobadi.



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