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Crítica do filme: 'My Policeman'


As dores e as escolhas nas profundezas do sentido mais intenso da natureza humana. Disponível no catálogo da Prime Video, após ser exibido em algumas sessões no Festival do Rio desse ano, My Policeman nos apresenta de forma delicada e em sua busca constante pelo detalhes um ping pong na linha temporal que exercita as facetas de personalidades, o antes e depois, de um triângulo amoroso que se decompôs com o tempo. Baseado no livro homônimo, lançado em 2002, e escrito por Bethan Roberts, o projeto apresenta de forma muito objetiva as punições pelas escolhas mesmo se perdendo em uma narrativa que alcança a melancolia sem conseguir desenvolver por completo todos seus principais personagens.


Na trama, conhecemos Marion (Gina McKee) uma estudante de pedagogia (depois professora), rata de biblioteca, amorosa, sonhadora que nutre uma avassaladora paixão por Tom (Harry Styles), esse, um jovem policial que voltou da guerra e busca por meio de sua curiosidade o conhecimento sobre o universo das artes, da pintura, dos livros. Tudo caminha para um romance de cinema mas um terceiro vértice está presente nessa relação, Patrick (David Dawson), um pacato e solitário funcionário de um museu, que adora o clássico de Tolstói, Anna Karenina, pintor de rostos comuns nas horas vagas, que vive num confortável apartamento. Com um antes e depois na sua linha temporal, a narrativa nos mostra que Patrick e Tom eram amantes deixando Marion com algumas escolhas a serem tomadas.


Todas as histórias de amor são trágicas aos olhos dos sonhadores? Numa época de ainda mais preconceito o que os dias atuais, um amor proibido é a variável constante desse romance que percorreu pelo tempo sem deixar de ser intenso. Por meio de um diário encontrado, lembranças escondidas do início de um amor e segredos que foram fundamentais para o presente dos envolvidos são mostrados. O ritmo é lento, busca nos detalhes as razões, os seus porquês mesmo caminhando por uma linha de obviedade escancarada que acaba frustrando o olhar mais atento.


Uma espectadora dentro da própria relação. Vale a menção à visão de Marion, no roteiro deixada um pouco de lado, não ganhado as profundezas que o triângulo rumava. A personagem parece presa a um conflito no presente por conta de algo do passado e seu desenvolvimento na trama ganha contornos de mera coadjuvante em uma história que poderia ser mais parte do protagonismo. Afinal, um triângulo é um triângulo né?


Dirigido pelo britânico Michael Grandage, My Policeman mostra o conflito das razões e emoções, a imperfeição das escolhas, o preconceito de uma época onde o amor era limitado a um conservadorismo que até hoje busca se desfazer com o tempo.



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