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Crítica do filme: 'Pinóquio' (2022)


Espere o melhor, seja o que for! Baseada em partes na famosa história criada pelo jornalista e escritor italiano Carlo Collodi, publicada pela primeira vez no ano de 1883 com o título de As Aventuras de Pinóquio, Pinóquio de Guillermo Del Toro navega em uma profunda melancolia sobre a perda em seus atos iniciais, uma espécie de prólogo para uma aventura contagiante que mistura críticas sociais a um mundo de fantasia e muita aprendizagem sobre a vida. O projeto, que demorou mais de uma década para sair do papel é uma releitura mais sombria de um clássico da literatura infantil, uma fantasia detalhista que aqui esbarra no passado de um mundo repleto de incertezas além de conceitos filosóficos que esbarram na existência e na brevidade. Um trabalho primoroso do genial Del Toro e também de Mark Gustafson, o outro diretor do longa-metragem que está disponível na Netflix.


Na trama, conhecemos Gepeto, um velhinho faz tudo, gente boa, que vive seus dias felizes em uma pequena vila ao lado de seu filho Carlo. Certo dia, já durante os tempos difíceis de guerras entre as nações, uma bomba jogada por um avião atinge uma igreja onde Carlo estava causando o seu precoce falecimento. O pobre Gepeto que viveu apenas 10 anos próximo do filho, para quem tocava sanfona declamando canções de ninar, se tornou também mais uma vítima das guerras dos homens. Um tempo se passa, o mundo mudou, mas Gepeto caminhava na estrada da tristeza, até que um dia, durante uma tempestade, resolve criar um boneco, feito a partir de um pinheiro e quando acorda o boneco tem vida própria. Paralelo a isso, somos introduzidos a história de um grilo metido a romancista que terá papel fundamental nas escolhas que virão pela frente quando Pinóquio, o nome do boneco criado, resolver desbravar o mundo.


A mentira que não tem perna curta e sim nariz em progressão. A família, aqui recortada em um relacionamento muito forte entre pai e filho, é algo sempre lembrado nas linhas do roteiro. O choque nessa relação (aqui já na figura de Pinóquio) tem adicionada o contraste da descoberta, do resgate das boas memórias. O entusiasmo e ingenuidade da vida pelos olhos de cheio de vida Pinóquio vem na contramão da melancolia de seu criador, essa gangorra de emoções acaba sendo parte da estrada que a trama atravessa.


Vezes musical, vezes aventura, o projeto busca contemplar a jornada da vida. A partir da ótica do simpático boneco passamos por vários estágios de conflitos enfrentados por ele. A ganância, o orgulho, a guerra, um nada fácil caminho pela vida numa época de tristes momentos para o mundo, inclusive Gepeto mora numa vila italiana dominada pelo fascismo de outros tempos. A reinvenção dessa clássica história pelos olhos de Del Toro e seu perfeccionista stop-motion, aproxima a história mundial da fantasia, uma forte crítica à tempos nebulosos da humanidade mas sem deixar os pingos de esperança por dias melhores.



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