Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Luther: O Cair da Noite'


O confronto contra o caos. Em mais um capítulo da aclamada série da BBC criada por Neil Cross, Luther: O Cair da Noite nos mostra uma Londres em total caos com um criminoso impiedoso realizando assassinatos macabros onde um experiente detetive da polícia britânica, repleto de problemas no seu passado precisará correr contra o tempo para deter as ações dessa mente criminosa. Dirigido pelo cineasta Jamie Payne, o projeto ambientado nos dias atuais, tem como base o dinamismo, a narrativa segue o passo a passo de seus personagens antagônicos no clássico confronto entre o bem e o mal. Nos papéis principais, os ótimos Idris Elba e Andy Serkis.


Na trama, voltamos a encontrar (pra quem acompanhou a série) o introspectivo e brilhante detetive John Luther (Idris Elba) que após ser designado para resolver o desaparecimento de um homem acaba sendo acusado de diversos crimes pelos seus ‘Modus operandi’ do passado. Mas com um implacável criminoso à solta, ele bola uma plano mirabolante e contará com a ajuda do seu ex-chefe Martin (Dermot Crowley) e a nova detetive chefe do departamento de polícia Odette (Cynthia Erivo).


A atualidade como plano de fundo de uma caça. Com filmagens em pontos icônicos da capital inglesa, como a praça Piccadilly Circus, em uma Londres do presente, agitada, um jogo de gato e rato é instaurado. De um lado um chantagista que se alimenta dos segredos de outras pessoas que acha pelas redes sociais, um stalker perturbado que alimenta vícios terríveis por meio da angústia alheia. Do outro, um brilhante detetive que ao longo do tempo insistiu em resolver as coisas do seu jeito o que o fez ser julgado e até mal interpretado pela posição de confiança que tinha como detetive da exigente polícia britânica. O antagonismo é marcante, um clássico duelo entre o bem e o mal, onde as reflexões sobre os desenrolares da psiquê, da impulsividade humana, são deixadas como migalhas para uma montagem de um quebra-cabeça existencial desses dois impactantes personagens.  


A primeira pergunta que você pode se fazer é: assistir ao seriado primeiro é melhor? Já lhe respondo, não necessariamente. Saber o contexto do seriado te dá um raio-x mais completo desse incrível personagem que teve 6 temporadas eletrizantes ainda numa era onde os streamings não eram tão fortes como nos dias atuais. Mas se você ainda não viu, pode assistir ao filme sem problemas. O roteiro de Luther: O Cair da Noite preza pela objetividade e em um curto espaço já prende sua atenção, passando por ações macabras, chocantes que traça paralelos com o universo obscuro da Dark Web, um lugar onde o anonimato rola solto.



Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...

Crítica do filme: 'Matar Jesus'

Os questionamentos ao poder, a inconsequente justiça com as próprias mãos. Exibido no Festival de Toronto no ano de 2017, Matar Jesus , escrito e dirigido pela cineasta Laura Mora Ortega é um recorte impactante de um choque entre dois mundos, duas realidades dentro de uma mesma cidade. Uma tragédia inesperada. Uma família em dúvidas sobre o futuro em uma cidade tomada pela criminalidade. Uma jovem em busca de respostas e justiça. Um filme que gera uma dezena de reflexões. Potente fita colombiana. Na trama, conhecemos a jovem e alegre Lita ( Natasha Jaramillo ), estudante de fotografia, universitária, que tem uma grande admiração pelo pai, um professor universitário. Certo dia, após voltar para casa de carona com seu pai Lita presencia o terrível assassinato do mesmo por dois bandidos em uma moto. O tempo passa e Lita parece estar perdida com a absurda falta de sensibilidade da polícia local e sem nenhuma notícia sobre a justiça no caso. Dois meses após a tragédia, em uma boate, acab...