Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Projeto Extração'


O mais do mesmo com tiro, porrada e bomba. Buscando uma rasa contextualização dentro de uma famosa zona conturbada mas que abriga uma das maiores reservas de petróleo no mundo, o novo filme de ação Projeto Extração, que reúne dois astros de duas gerações dos filmes de ação, Jackie Chan e John Cera, é um festival de cenas de ação e diálogos puxados para o tragicômico onde a trama fica em segundo plano, deixando pouco espaço para mais profundidade nas subtramas. Além de tudo, o filme é aquele famoso projeto onde deduzimos rapidamente seu meio e fim, se tornando um dos títulos mais previsíveis lançados pela Netflix em 2023.


Na trama, conhecemos Luo feng (Jackie Chan), o líder de um grupo de segurança que é chamado para uma missão complexa que compreende retirar trabalhadores de uma refinaria chinesa no Iraque que está sendo alvo de mercenários. Entre os trabalhadores está a filha engenheira do protagonista que tem um relacionamento frio e distante com o pai. Quando precisam atravessar a temida zona chamada ‘rodovia da morte’, são atacados (com direito até a motores à jato que criam tempestades de areia) e logo se descobre um plano do roubo de todo aquele petróleo da região. Para ajudar Luo Feng a combater os inimigos, ele contará com a ajuda do ex-militar norte-americano Chris (John Cena), que virou casaca quando seu irmão sofre as consequências de suas escolhas.


O deserto como mina de ouro. Falado em dois idiomas, essa co-produção China/Estados Unidos busca seu contexto na ganância e toda a problemática pela luta por petróleo em um mundo cada vez mais dependente desse poderoso recurso natural. E nada mais lógico do que ambientar um roteiro em uma zona de conhecidos conflitos já bem conhecida. Partindo desse princípio, a narrativa se desenvolve através do olhar de dois homens de guerra. Um experiente agente de segurança que está buscando uma melhor relação com a filha após um passado de magoas (que não é muito bem explicado), e um ex-fuzileiro naval que largou sua terra e vive no meio do deserto ajudando no desenvolvimento de uma região bastante carente. Mesmo tendo essas duas perspectivas o discurso conflituoso da narrativa não se desenvolve, o contexto se fecha sem maiores explicações metendo o pé no acelerador em alucinantes cenas de ação pouco empolgantes.


Dirigido por Scott Waugh com roteiro assinado por Arash Amel, com locações em um deserto chinês, rodado em meados de 2018 e só lançado em 2023 na Netflix, Projeto Extração pode até ser um entretenimento pra quem curte filmes de ação mas um grande sonífero para quem curte refletir com profundidade sobre os paralelos com a realidade, aqui, conflitos ligados as disputas (que percorrem anos) por um dos mais desejados recursos naturais do planeta.



Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...

Crítica do filme: 'Matar Jesus'

Os questionamentos ao poder, a inconsequente justiça com as próprias mãos. Exibido no Festival de Toronto no ano de 2017, Matar Jesus , escrito e dirigido pela cineasta Laura Mora Ortega é um recorte impactante de um choque entre dois mundos, duas realidades dentro de uma mesma cidade. Uma tragédia inesperada. Uma família em dúvidas sobre o futuro em uma cidade tomada pela criminalidade. Uma jovem em busca de respostas e justiça. Um filme que gera uma dezena de reflexões. Potente fita colombiana. Na trama, conhecemos a jovem e alegre Lita ( Natasha Jaramillo ), estudante de fotografia, universitária, que tem uma grande admiração pelo pai, um professor universitário. Certo dia, após voltar para casa de carona com seu pai Lita presencia o terrível assassinato do mesmo por dois bandidos em uma moto. O tempo passa e Lita parece estar perdida com a absurda falta de sensibilidade da polícia local e sem nenhuma notícia sobre a justiça no caso. Dois meses após a tragédia, em uma boate, acab...