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Crítica do filme: 'Guapo’Y'


Como seguir com a vida após um forte trauma em tempos de ditadura? Diretamente do Paraguai, exibido no Cine Bh 2023, o documentário Guapo’Y, dirigido pela cineasta Sofía Paoli Thorne, nos mostra os fortes e emocionados relatos de uma mulher que sofreu diversos traumas num campo de concentração paraguaio durante o período de governo autoritário de um dos mais cruéis ditadores da América do Sul, Alfredo Stroessner. Um fato interessante do projeto é que a narrativa consegue criar interessantes paralelos, tendo a Terra como referência em uma aplicação de simbolismo de esperança e cura.


Exibido no prestigiado Festival de Málaga o projeto apresenta relatos que expõem o caótico Paraguai em tempos de Ditadura, a mais longa sul-americana, que começou em meados da década de 50 e foi até o fim da de 80. Esse momento marcante da história é amplamente contextualizado e segue navegando na narrativa inclusive sendo trazido até os dias atuais com fatos declarados de alguns governantes, absurdamente diga-se de passagem, elogiando o mais cruel ditador sul-americano (já citado acima).


Nesse filme de memórias ainda dolorosas, sabemos de companheiros muito torturados, presos em um lugar de ações limitadas, muitos lutando por esperança nas condições desumanas de tempos terríveis tendo a incerteza como antagonista aos lampejos de novos dias. 40 Anos depois do fim da ditadura, vemos os traumas que nunca vão se acabar para quem sofreu as dores daqueles tempos.


O paralelo com a Terra é a ponte cirúrgica que a narrativa consegue amarrar no seu refletir e faz muito sentido. Um símbolo de alguns povos indígenas é a árvore da cura, conhecida como Guapo’Y, e seu sentido dentro do que assistimos no documentário tem paralelo com esperança. Filmes como esse existem para nunca deixarmos cair no esquecimento esses tempos sombrios. É uma forte ferramenta com uma impactante descarga emocional que faz refletir do início ao fim.



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