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Crítica do filme: 'O Senhor das Armas'


Escrito e dirigido pelo cineasta neozelandês Andrew Niccol, com um orçamento de cerca de 40 milhões de dólares, conseguindo quase dobrar esse número somente em bilheteria, O Senhor das Armas é um verdadeiro soco no estômago que já começa mostrar a que veio na sua abertura, uma das mais chocantes das últimas décadas, nos levando para o assustador mundo, infelizmente o mesmo em que vivemos, que tem uma arma para cada doze pessoas no planeta. Seguindo os passos de um traficante de armas, personagem esse baseado em partes na vida do comerciante russo de armas Viktor Bout, desde os anos 80 até os dias atuais, O Senhor das Armas é uma chocante e muito bem construída crítica à indústria bélica.


Na trama, conhecemos Yuri Orlov (Nicolas Cage), um descendente de ucranianos que chegou na América com a família se passando por judeus e criado no Brooklyn. Durante um momento de sua vida percebe uma oportunidade em um universo que não conhecia, o de traficar armas e logo se torna um alguém influente nesse meio. Correndo para o encontro com a violência, levando seu irmão Vitaly (Jared Leto) para os negócios e sem um pingo de dó na consciência ao longo de tempo ele começa a ser perseguido pela interpool aqui centralizado na figura do agente Valentine (Ethan Hawke).


Qual é a sua guerra? Por meio de um protagonista narrador, um recurso muito interessante que segue a narrativa, vamos sendo guiados para os bastidores de uma poderosa indústria, repleta de vilões, pessoas insensíveis. Sem passar a mão nem humanizar seu inconsequente e sem coração personagem principal o projeto caminha a passos detalhados onde joga o público de frente para a reflexão. A direção de Niccol é fascinante, apresenta por meio do chocar os conflitos e até mesmo dilemas que se seguem na vida de Yuri. Esse último, um intrigante personagem, que blindado por seu egocentrismo não consegue chegar nem perto de alguma dor na consciência. Um brilhante trabalho de Nicolas Cage.


Com armas espalhadas em diversas zonas de guerra, passando por momentos marcantes que remodelaram a geopolítica mundial, como o fim da União Soviética, e também a ascensão de ditadores impiedosos na África, Yuri parece, a cada novo lugar que vai, nos levar para verdades escondidas, momentos que precisamos refletir pois o espelho de muito do que vemos ao longo de quase duas horas de projeção não é muito diferente do que acontece em diversos lugares do mundo nesse mesmo instante.


Esse ano, foi confirmada uma continuação, com Nicolas Cage reprisando seu emblemático personagem quase duas décadas após o primeiro filme. Pra quem quer assistir o primeiro filme, está disponível no catálogo da Prime Video.


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