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Crítica do filme: 'Obrigado, Rapazes'


A liberdade para quem se acostumou com a reclusão. Integrante da ótima seleção do Festival de Cinema Italiano 2023, a comédia com fortes traços de drama existencial Obrigado, Rapazes foca seus esforços para refletir sobre o papel da arte e o significado de uma mudança no olhar para a realidade. Invocando um dos maiores dramaturgos do século XX para encontrar sentidos para abaladas trajetórias de vida, a narrativa rumo para a esperança através de uma jornada de descobertas por meio de um protagonista que percebe rapidamente a troca mútua que o espera. Remake do longa francês A Noite do Triunfo, Obrigado, Rapazes tem uma singela poesia, cheia de metáforas, que nos aproxima dos personagens a todo instante.


Na trama, conhecemos Antonio (Antonio Albanese), um experiente ator, pai de uma jovem, já na casa dos 30 anos que mora no Canadá, que trabalha no seu presente como dublador de filmes para adultos e parece não estar nada feliz com os rumos que sua vida e carreira levaram. Certo dia, após receber uma ajuda de um amigo dono de teatro, tem a chance de um novo trabalho como professor de um curso de teatro dentro de um presídio italiano. Assim, conhece alguns presidiários mais a fundo, os ajudando a encenar a peça Esperando Godot, do autor irlandês Samuel Beckett. Será esse o empurrãozinho que precisavam para enxergar suas vidas com outros olhos?


A prisão como um lugar de esperança na reabilitação. A dramédia invoca uma obra escrita no final da década de 40, uma das mais famosas do autor Samuel Beckett, com uma história que diz muito do que vemos na trajetória dos personagens. O valor da arte como elemento agregador na reabilitação é uma das reflexões mais interessantes que o longa-metragem dirigido por Riccardo Milani nos leva. A ressignificação da vida por aqui é um mola propulsora para debates existencialistas.


A contextualização e atualidades são resgatadas nas entrelinhas de uma narrativa que foge do riso fácil, onde o drama e a busca pela esperança contornam as desconstruções dos personagens. Temas sobre a sociedade atual não são esquecidos. Além da própria reflexão sobre a ressocialização dos presos, a imigração também ganha holofotes, além das oportunidades de trabalho. O professor Antonio acaba sendo um espelho que reflete na vida dos presos, numa relação mútua na busca pelo tão sonhado encontro com a esperança pelos caminhos de direção da própria vida.


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