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Crítica do filme: 'O Livro da Discórdia'


O sexo e a punição. Exibido no Festival Varilux de Cinema Francês do ano passado a comédia O Livro da Discórdia apresenta reflexões sobre uma geração de imigrantes no choque entre as memórias do passado e o presente na visão de um escritor de meia idade, descendente de argelinos. Dirigido pela atriz e cineasta francesa Baya Kasmi, em seu segundo longa-metragem de ficção, o projeto abre também espaço para mercado editorial dos livros e seu circuito de interesses. Tudo funciona de forma equilibrada em um roteiro que preza pelo humor na medida certa.

Na trama, acompanhamos a trajetória de Youssef (Ramzy Bedia), um homem de 45 anos, que mora em Paris e busca seu primeiro grande sucesso como escritor. Quando seu novo livro, que relata experiências vividas na sua adolescência na cidade de Marselha, vira um fenômeno de vendas Youssef fica preocupado de falar com os pais sobre a obra que apresenta questões que vão longe do encontro de tudo que sua família acredita. 

Abrindo espaço para o enigmático mercado editorial e seus vícios em busca do sucesso, o filme usa do flashback para entendermos sentimentos do passado e os dilemas que se seguem no presente em uma França recheada de questões sobre imigrações, algo corriqueiro numa Europa dos nossos tempos. A forma como se apresenta os temas polêmicos ligados à religião e os costumes também geram ótimos debates, aqui acoplados na visão de uma família que flerta com o tradicional, por conta de suas raízes, mas que faz muito tempo vive num mundo atual onde as aparências se tornaram ferramentas de não enfrentamento de possíveis embates. 

Inteligente sem perder o humor. A causa e o efeito ganham sentido quando entendemos que as autocríticas chegam por meio de terceiros, pelos mais próximos do protagonista. Seu conflito, segue durante toda narrativa com a exposições de situações se tornando um elemento importante sem fugir do discurso do roteiro. O desenho de sua estrutura familiar é apresentado de forma bem humorada com Youssef preso na premissa de que a realidade sempre vai além da ficção.

 

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