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Crítica do filme: 'Cinema é uma Droga Pesada'


Um divertido e com profundos dizeres sobre uma produção cinematográfica. Exibido no Festival Varilux de Cinema Francês do passado, o longa-metragem Cinema é uma Droga Pesada expõe o processo criativo e joga uma luz nas produções audiovisuais com uma metalinguagem que se amplifica dentro de uma narrativa inteligente apresentando vários olhares dentro de uma mesma situação que se torna ampla, seguindo na lógica convincente de um filme dentro de outro. Dirigido pelo experiente cineasta francês Cédric Kahn, o projeto, que possui um título certeiro, traz reflexões encantadoras e gera boas risadas.

Na trama, somos apresentados a uma nova produção do cinema francês, um filme que aborda uma relação conflituosa entre a classe operária e seus patrões. Assim, atrás das câmeras vemos os bastidores com a visão de Simon (Denis Podalydès), um cineasta que chegou aos limites em muitos pontos de sua vida, inclusive com problemas no relacionamento familiar consumido por sua dedicação intensa ao seu ofício, que percebe aos poucos perder o controle sobre seu novo trabalho. Outras histórias vistas nesses bastidores acabam se juntando aos poucos.

As variáveis humanas dentro de um indústria que preza pelo capital. Triturando as camadas do audiovisual, e toda a concepção de uma série de dias de filmagens, Cinema é uma Droga caminha, através de ótimos personagens, pelo processo criativo de transformar em imagens e movimento as linhas de um roteiro. Mas isso seria muito trivial se estacionasse na superfície, o que não é o caso. Os cortes no orçamento, as variáveis incontroláveis, as relações interpessoais, os longos embates sobre os rumos do processo final, a visão macro da direção e artistas são destrinchadas em ótimos diálogos.

Há um interessante elo, talvez visto por alguns como uma crítica social, sobre o tema do filme que estão gravando e a situação que passa a produção. A classe operária e embates com os patrões e os tais vários olhares dentro de uma mesma situação, antes de mais nada, reflete da ficção à realidade. Dessa forma construtiva, a metalinguagem escancarada se torna um alicerce de conclusões diversas, um ponto importante para fazer sentido tudo que quer ser transmitido.

Outro elemento importante e muito bem conduzido pela ótima direção de Kahn, são as subtramas se encaixando de forma atinada, virando um trunfo de um roteiro que consegue se moldar tendo como ponto em comum o alvo do discurso. O elenco é fantástico, encabeçado pelos ótimos Denis Podalydès e Emmanuelle Bercot ajudam a traduzir os conflitos que passam seus personagens, transformando o caos emocional em carismáticos retratos de almas em eternos embates existenciais.

Cinema é uma Droga Pesada foi um dos destaques da ótima seleção do Festival Varilux de Cinema Francês 2023. Um filme cheio de verdades que os estudantes de cinema precisam olhar com atenção.

 

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