Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Jornada para o Inferno'


A natureza e todos os seus aspectos. Baseado na obra Butcher's Crossing, escrito pelo professor e autor norte-americano John Williams, Jornada para o Inferno nos apresenta a caminhada de um jovem e sua necessidade de encontrar conexões entre o homem e a natureza, esbarrando de forma abrupta no medo que se mistura ao desbravar. Através de uma narrativa imersiva ao contexto do velho oeste americano e os modos de sobrevivência daqueles tempos, o longa-metragem propõe reflexões profundas e filosóficas. Dirigido pelo cineasta Gabe Polsky, e tendo como um dos seus protagonistas o vencedor do Oscar Nicolas Cage, o projeto estreou no prestigiado Festival Internacional de Cinema de Toronto em 2022.

Na trama, conhecemos Will (Fred Hechinger), um jovem estudante que larga a prestigiada Universidade de Harvard para descobrir o mundo longe da bolha que vivia. Chegando na cidade de Kansas, em meados de 1870, logo conhece um experiente caçador de búfalos chamado Miller (Nicolas Cage). Ambos embarcam em uma perigosa caça, em uma região ao norte, numa imensidão de terras não habitadas, um lugar temido por muitos. Ao longo de dias intensos, ao lado de Miller e outros dois personagens, o protagonista vai de encontro a descobertas que o farão entender melhor sobre a vida e a natureza.

A nevasca, a insanidade, a fé, as crenças, a necessidade do ganhar dinheiro para se sustentar, se somam a uma aterrorizante sensação de estarem perdidos, algo que se torna uma constante. Os desdobramentos de interpretações da moral logo mostra suas facetas em meio a uma natureza selvagem de paisagens belas e perigos iminentes. O conflito se abre como uma oportunidade para se refletir. É muito simplista definir esse como apenas um filme sobre sobrevivência, há mais olhares. A filosofia e as questões da existência logo ganham paralelos com os valores sociais principalmente as definições sobre liberdade.

O que é preciso ver para se entender a vida? Essa é uma pergunta que podemos nos fazer ao ampliar o olhar crítico para tudo que nos é mostrado. Através dos olhares de seus protagonistas, a condução de Gabe Polsky vira ferramenta fundamental para o enorme alcance de definições que muitas interações entre os personagens nos dizem. Há espaço para alcançarmos contextos amplos daquele país naquele momento e as novas maneiras de viverem e pensarem os avanços da sociedade até ali. O desfecho diz muito pelas entrelinhas. Junta-se a isso, a enormidade de interpretações para as ações do homem no encontro com a natureza.

Rodado em menos de três semanas em algumas locações no Estado de Montana, numa região conhecida como Montanhas Rochosas, Jornada para o Inferno joga a definição de faroeste a outros patamares, amplia seus horizontes de reflexões sobre um período marcante no século XIX norte-americano.


Postagens mais visitadas deste blog

Pausa para uma série: Absentia – 1ª Temporada

O desespero de uma nova vida dentro de uma mesma realidade. Protagonizada por Stana Katic ( Castle ), Absentia tem um dos roteiros mais complicados das séries de mistérios com tiro porrada e bomba da atualidade, mesmo assim coloca uma pulga atrás da orelha do espectador pois os episódios da primeira temporada parecem a todo tempo nos fazer várias perguntas que obviamente surgem entre em uma revelação e outra, deixando a icógnita se teremos respostas ao fim dessa jornada. Uma agente do FBI, um sumiço de anos, uma frenética volta ao convívio aos seus conhecidos e o paradigma das escolhas, isso tudo dento de um background de um assassino misterioso. Pra quem gosta de maratonar uma série com muitas surpresas, Absentia pode ser uma boa dica.  Tem na Amazon Prime . Nessa mistura de drama pessoal com suspense e ação, acompanhamos a trajetória de uma agente do FBI chamada Emily ( Stana Katic ) que sumiu por longos seis anos sem ninguém ter muita noção de seu paradeiro até que um certo...

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Criaturas do Farol'

As dúvidas sobre o canto da sereia. Se perdendo em alguns momentos entre os achismos que surgem naturalmente numa relação desconfiada entre duas pessoas que nunca se viram, o longa-metragem Criaturas do Farol é um peculiar suspense psicológico com poucas perguntas e também poucas respostas. O roteiro se fortalece em diálogos que nos guiam para uma jornada emocional e paranoias que prendem a atenção na maior parte do tempo mas não chegam a empolgar. Pensando em realizar um objetivo náutico, que remete lembranças ao pai e apoiada pelo avô, a jovem Emily ( Julia Goldani Telles ) parte com seu veleiro rumo às infinidades dos oceanos. Chegando no sul do pacífico, a embarcação é atingida por uma tempestade e acaba indo parar numa ilha onde é resgatada pelo faroleiro Ismael ( Demián Bichir ). Logo essa relação de gratidão passará por enormes desconfianças. Como contar uma história que está em uma bolha no campo das suposições? A tensão por meio do chocalhar psicológico se torna um corpul...