Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Assalto Brutal'


Muito além de um crime. Baseado - em partes - numa história real, em Assalto Brutal, vemos embates a partir de um irmão próximo do abismo emocional após a ruptura de laços, um caótico evento num banco que está sendo privatizado e os fantasmas do passado de um brilhante policial que se tornam ferramentas para lidar com um caso repleto de violência. Rapidamente chegando ao Top 10 da Netflix Brasil, o projeto possui camadas muito bem amarradas pelo cineasta Michal Gazda, com um roteiro assinado por Bartosz Staszczyszyn.

Na trama, ambientada na época onde os VHS dominavam as prateleiras das milhares de locadoras pelo mundo, um misterioso assalto a banco, com vítimas, deixa Varsóvia em estado de alerta. Com uma proposta para voltar à ativa na forças da lei caso consiga desamarrar a investigação do crime, o policial Tadeusz Gadacz (Olavo Lubaszenko) fará de tudo para chegar as verdades.

A narrativa opta por explorar as consequências com as peças já encontrando rápidas definições. Sabemos quem é o responsável mas o motivo se torna um atrativo pronto pra ser alcançado pelo clímax. Por esse caminho, há uma visão fria dos relacionamentos caracterizada por cores carregadas, transmitindo sentimentos que vão dá raiva ao remorso, conversando com o passado nebuloso de mais de um personagem. O roteiro é preciso ao destacar o lado psicológico dos conturbados personagens e ganham destaques a fotografia e direção de arte.

Seguindo o rastro de violência deixado pela inconsequência através de uma premeditação assustadora de um personagem chave, essa história – também – sobre traumas mal resolvidos, se cerca com todas as peças no entorno do principal suspeito, logo chegando em desdobramentos surpreendentes. Com o passar dos dias marcando mini capítulos dentro de todo o recorte proposto, a narrativa e seu ritmo cadenciado chega com consistência nas respostas para o motivo e o como ocorreu o crime, encontrando assim algumas surpresas pelo caminho.

A partir dessa visão fria sobre a realidade e os alcances das inconsequências, chegamos em críticas sociais importantes que envolvem a política de segurança pública em uma Polônia de tempos atrás, as consequências de traumas mal resolvidos do passado, até mesmo o papel da mídia em casos de grande repercussão. Assalto Brutal cumpre seu papel de apresentar as causas e efeitos, se consolidando como um bom filme policial. 


Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'Vípuxovuko – Aldeia' [Fest Aruanda 2025]

Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda , com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra. Selecionado para a mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Fest Aruanda 2025, a obra avança nas suas críticas sociais, muito bem articuladas a partir de um protagonista de raízes indígenas, que escapa de generalizações. Ele trabalha como entregador e também exerce a função de líder de sua comunidade, reivindicando direitos e protegendo seu povo das ações desenfreadas dos mecanismos do Estado.    A cultura indígena ganha registros através da fé, da cultura, da tradição e da preservação desses povos originários, que em muitos casos estão sempre na luta pela continuid...

Crítica do filme: 'Apocalipse Segundo Baby' [Festival É Tudo Verdade 2026]

Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Se você ouvir esse nome por aí, talvez não sabia de quem se trata. No entanto, se falarmos Baby do Brasil – ou mesmo Baby Consuelo, como foi conhecida boa parte de sua carreira - as lembranças logo chegam. 18 anos depois do início do projeto, o documentário Apocalipse Segundo Baby, chegou às telonas brasileiras antes da sua estreia em circuito, através do Festival É Tudo Verdade. Com roteiro e direção de Rafael Saar , a obra toma um rumo corajoso desde seu início, fugindo de referências documentais conhecidas para se chegar em uma narrativa intensa, cheia de imagens e movimentos. Essa busca pela originalidade, na tentativa de traduzir o abstrato de uma personalidade plural, marcada por autorreflexões de Baby, segue apenas por essa perspectiva, com a ajuda de registros de apresentações marcantes. De Niterói a Salvador, passando por uma experiência marcante em Santiago de Compostela - ex-integrante do grupo Novos Baianos, que alcançou o sucesso a...

Crítica do filme: 'Zico, o Samurai de Quintino'

Um craque como poucos, dentro e fora de campo. Se você acompanha futebol - ou não -, já ouviu falar de Zico, um dos maiores camisas 10 da história do futebol mundial. Muito associado à nação rubro-negra, sua idolatria transborda para torcedores de outros times e outros países. Um figura exemplar, que preencheu páginas gloriosas desse esporte que é uma paixão nacional. Hoje, aos 73 anos, o galinho de quintino tem recortes de sua vida apresentados ao público no documentário Zico, o Samurai de Quintino , com estreia marcada para o próximo dia 30 de abril nos cinemas. Dirigido por João Wainer , o projeto busca um olhar amplo, construído desde seus primeiros passos na carreira até sua passagem pelo Japão, mostrando sua importância para a profissionalização do futebol naquela região – um legado visto até hoje -, com um recheio saboroso revisitando sua história profissional no Brasil.    O documentário segue por um modelo narrativo convencional, sem se arriscar, com entrevistas e...