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Crítica do filme: 'Baby' [Festival do Rio 2024]


O juízo de valor no centro do tabuleiro para vencer a solidão. Depois de uma passagem positiva pelo Festival de Cannes esse ano, o longa-metragem brasileiro Baby desembarcou no Festival do Rio. Colocando para reflexões embates dolorosos entre duas almas que o destino une movidos ao centro do tabuleiro de emoções intensas, o filme dirigido por Marcelo Caetano aborda de forma visceral as segundas chances e, principalmente, passa a limpo as camadas do juízo de valor. Com uma narrativa hipnotizante, nua e crua sobre as facetas do sobreviver, esse é um daqueles filmes que demoram a sair de nossas memórias.

Na trama conhecemos o jovem Wellington (João Pedro Mariano), que ao sair de um reformatório vai em busca dos pais que não mantiveram contato enquanto ele estava em reclusão. Ao se ver perdido na maior cidade do país, certo dia seu destino se cruza com o de Ronaldo (Ricardo Teodoro), um homem que sobrevive se prostituindo e traficando. Aos poucos esse relacionamento se estabelece com muitas fases que vão desde amor intenso até caóticos desencontros.

Com uma belíssima construção de personagens que não saem de uma zona de conflitos, o roteiro minuciosamente transforma as esperanças de um inusitado encontro nas dores de desencontros. O caminho para isso é feito através de uma narrativa com um desenvolvimento que mantém o clímax constante, passando por construções simbólicas e representativas de opostos – mas nem tanto assim – que se atraem. Há também uma inversão entre a maturidade e a imaturidade, no meio de um sofrer pela solidão, em alguns momentos revertidos para a dubialidade entre as ações antagônicas de explorar e proteger.

Em camadas que vão se desenvolvendo através do profundo alcance na história dos personagens, principalmente na de Ronaldo – interpretado de forma magistral por Ricardo Teodoro, que levou o prêmio de Ator Revelação na Semana da Crítica em Cannes – vamos rumando a uma conclusão imprevisível, em meio aos agitos de uma badalada cidade repleta de diferentes visões e olhares, onde o juízo de valor, na linha das emoções e experiências de vida té ali, ganham o centro das atenções.

Baby estreia no circuito exibidor brasileiro no dia 9 de janeiro. Podemos afirmar com toda certeza que esse é um dos grandes filmes da seleção desse ano do Festival do Rio. 

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