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Pausa para uma série: 'O Dia do Chacal'


Escrita pelo britânico Frederick Forsyth no início da década de 1970, a clássica obra político e espionagem O Dia do Chacal já ganhou algumas adaptações cinematográficas ao longo do tempo. Em 2024 foi a vez da obra virar uma série na Disney Plus, com ares novelescos, que se sustenta na força de um camaleônico personagem com uma associação interrogativa com traumas de um passado que se apresentam para inúmeras interpretações. Com direito a cenas de total violência dentro de um enigmático quebra-cabeça emocional, essa adaptação busca nos laços - e na quebra deles - trazer ritmo empolgante para uma geração que nunca ouviu falar desse personagem.

Na trama, trazida para o presente em uma Europa cheia de conflitos políticos, conhecemos um assassino de aluguel de alcunha o Chacal (Eddie Redmayne), contratado para realizar serviços quase impossíveis. Vivendo num casa luxuosa e repleta de mentiras ao lado da esposa Nuria (Úrsula Corberó), o protagonista tem um último serviço para enfim tentar a aposentadoria. Mas Bianca (Lashana Lynch), uma agente do MI6, está cada vez mais perto de descobrir seus planos.

Buscando num embaralhado de referências sobre as origens do personagem adaptados para o mundo de agora, esse seriado de 10 episódios tem alguns lados pouco abordados em outras obras sobre o universo de O Chacal. Um ponto são os laços amorosos dele pela esposa e o filho, fato esse que torna a vulnerabilidade algo nítido o que causa estranheza por conta da meticulosidade e frieza que é conhecida. Algo parece não bater por aqui, mesmo que há a compreensão de ser uma nova releitura. Com essa nova faceta apresentada, alguns episódios rumam para um novelão repleto de clichês mas que são compensadas por um emaranhado de ações alucinantes e sequências de tirar o fôlego.

As cenas de espionagem e ação são muito bem dirigidas, Eddie Redmayne encara seu personagem com competência deixando um monte de interrogações sobre seu modo de pensar e tendo o sangue frio no gatilho quando preciso. Essas características aproximam o espectador sobre a natureza desse vilão. Seus duelos com Bianca, mesmo que de forma confusa e previsível em muitos momentos, são parte de um alicerce que contornam o roteiro do seriado como um todo. A parte política e os outros vilões que se apresentam ficam em segundo plano, sem profundidade, num caminho de achismos.

O Dia do Chacal, longe de ser a obra-prima que poderia, conta com a força de um vilão já vivido por Edward Fox e Bruce Willis nos cinemas, que encontra em Eddie Redmayne um novo norte para camadas que poderão serem exploradas ao longo de temporadas. E por falar nisso, a segunda temporada já está garantida e deve chegar em breve na Disney Plus.


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