Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Prédio Vazio' [Mostra de Cinema de Tiradentes 2025]


Filho de um ex-mágico e já consolidado como uma referência no gênero terror em nosso cinema brasileiro, o cineasta Rodrigo Aragão circula dramas e questões entre mães e filhas através de almas infelizes, atormentadas, com uma protagonista que está encontrando o seu pulsar pelo amor através do que encontra pelo caminho. Selecionado para a Mostra Olhos Livres, da 28ª Mostra de Cinema de Tiradentes, o terror capixaba Prédio Vazio se afasta a cada segundo do convencional comercial, ganhando forte originalidade, onde o gótico e o ocultismo se encontram.

Desde criança tendo lembranças vagas de um certo momento traumático que viveu com sua mãe, a jovem Luna (Lorena Corrêa) está em um relacionamento ainda de descobertas com o namorado (Caio Macedo). Quando ela percebe que a mãe (Rejane Arruda) possa estar em perigo durante os últimos dias de carnaval, viaja até Guarapari em sua busca, entrando num edifício arrepiante na orla capixaba. Nesse lugar, vai se deparar com um enorme pesadelo.

Com referências que vão do grande José Mojica Martins até Dario Argento, esse projeto, que contou com apenas 20 diárias de gravações, acerta no clima de tensão colocando a criatividade na frente de suas possibilidades o que causa um efeito dominante na atenção do público. Luzes coloridas, plot twist... das linhas do roteiro até as ações na narrativa, através do medo e do aterrorizar, encontramos camadas sobre relação entre mães e filhas, também pinceladas sobre as descobertas do amor.

Em Prédio Vazio, o gótico e o ocultismo andam de mãos dadas, até mesmo com um charme cômico que se encaixa como uma luva dentro de toda a atmosfera criada. Aragão vai de encontro a um universo que domina como poucos levando o público para uma jornada aterrorizante mas também divertida pelas infinidades do sobrenatural. São cerca de 80 minutos que passam rapidinho com gosto de quero mais.

 

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Criaturas do Farol'

As dúvidas sobre o canto da sereia. Se perdendo em alguns momentos entre os achismos que surgem naturalmente numa relação desconfiada entre duas pessoas que nunca se viram, o longa-metragem Criaturas do Farol é um peculiar suspense psicológico com poucas perguntas e também poucas respostas. O roteiro se fortalece em diálogos que nos guiam para uma jornada emocional e paranoias que prendem a atenção na maior parte do tempo mas não chegam a empolgar. Pensando em realizar um objetivo náutico, que remete lembranças ao pai e apoiada pelo avô, a jovem Emily ( Julia Goldani Telles ) parte com seu veleiro rumo às infinidades dos oceanos. Chegando no sul do pacífico, a embarcação é atingida por uma tempestade e acaba indo parar numa ilha onde é resgatada pelo faroleiro Ismael ( Demián Bichir ). Logo essa relação de gratidão passará por enormes desconfianças. Como contar uma história que está em uma bolha no campo das suposições? A tensão por meio do chocalhar psicológico se torna um corpul...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...