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Crítica do filme: 'Entre Montanhas'


Embarcando na ficção através de uma estrada pelas teorias de conspirações que liga governos, operações secretas - aquele universo paralelo geopolítico cheio de possibilidades para mentes criativas - o novo longa-metragem lançado com exclusividade na Apple Tv Plus, Entre Montanhas, busca, entre seu desfile armamentista de grandes potências, se encontrar com reflexões que encostam em correntes filosóficas que partem do pragmatismo para um municiar o existencialismo. A direção é assinada pelo ótimo cineasta norte-americano Scott Derrickson, diretor de O Exorcismo de Emily Rose e outros sucessos.

O atirador de elite e o fuzileiro reformado Levi (Miles Teller) vive tempos de instabilidade na sua vida não conseguindo dormir e sem objetivos no lado profissional. Um dia é chamado para uma missão secreta com duração de um ano. A assassina lituana Drasa (Anya Taylor-Joy) depois de cumprir mais um objetivo em sua longa lista de assassinatos é convocada para a mesma missão. Num lugar isolado, cada um dos dois é selecionado para ficar de guarda numa torre, em lados opostos. Aos poucos vão se conhecendo melhor e descobrindo segredos.

Num primeiro momento, o filme parece rumar para caminhos interessantes. Ao longo de duas horas de projeção e com os meses marcando os atos, o abre alas da história se sustenta na solidão, na tristeza, e todos os sentidos que podem vir a partir disso. Esse ponto existencialista, exatamente alcançar o objetivo de vida através das próprias decisões, deixa sugestões de complemento através da autonomia existencial e moral que se colocam a disposição nos arcos dramáticos.

Mas com o peso de fazer da mescla de ação, romance, suspense e terror agradar a todos os públicos - e com o pé no acelerador para as cenas de grandes proporções visuais - o projeto embarca num caminho sem volta rumo a tensão longe do psicológico. Esse ponto é prejudicado pelas muitas tentativas de explicar o terror, através da simplória junção de segredos e mentiras, além de teorias conspiratórias. A partir daí, tudo fica bem confuso e pouco atrativo com a bala comendo solta em ações desenfreadas.

Entre Montanhas muitas vezes se parece um videogame. A narrativa com seu discurso direto leva o público para a resolução e conflitos de dois personagens muito bem interpretados como grandes momentos no primeiro ato.


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