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Crítica do filme: 'A Garota da Agulha'


Um aterrorizante recorte que aconteceu na Europa tempos atrás. Baseado em fatos reais e ambientado na Dinamarca no pós primeira guerra mundial, A Garota da Agulha é uma estrada aterrorizante cheia de reviravoltas pela natureza humana onde não conseguimos desgrudar um minuto nossos olhos de todos os acontecimentos nas pouco mais de duas horas de projeção. Dirigido pelo cineasta sueco Magnus von Horn, esse é uma daqueles true crimes que vai ser difícil tirar da memória. Merecidamente indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

A vida não é fácil para Karoline (Vic Carmen Sonne), uma jovem que após o desaparecimento do marido se vê em um mar de desilusões quando se envolve com o seu chefe, fica grávida mas logo é rejeitada. Sem saber o que fazer quando a criança nascer, acaba conhecendo Dogmar (Trine Dyrholm), uma mulher que comanda uma agência de adoção clandestina. Esse encontro trará desenrolares impactante quando verdades começam a aparecer.

A mistura de terror e drama acaba sendo uma fórmula certeira que nos leva para o surpreende retrato de uma história real ocorrida no século XX, logo após um dos maiores conflitos que a humanidade já viu. A reconstrução de todo um contexto aqui é apenas uma aresta para uma imersão a psiquê humana que mostra o lado obscuro de traumas não resolvidos, relações deterioradas, o sufocar nos dilemas.  Impressiona como o filme cresce a cada nova revelação.

Todo em preto e branco, fato esse que transforma a narrativa em um desfile pelo estado de espírito nas camadas emotivas que passa a protagonista, A Garota da Agulha brilha no  desenvolver a linguagem cinematográfica tendo norte um expressionismo que atinge o coração das emoções e também as crises morais e existenciais. Tudo é muito interessante, seja na parte dramática, seja nos personagens, no ambiente, na estética.

Intenso e surpreendente, o filme está disponível no ótimo catálogo da MUBI.


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