Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'A Garota mais Linda do Mundo'


A forma delicada como é apresentada a construção da descoberta do amar – mesmo com todos os clichês que se encontram pelo caminho - é o grande achado do longa-metragem indonésio A Garota mais Linda do Mundo. Dirigido por Robert Ronny, e protagonizado pelos ótimos Reza Rahadian e Sheila Dara Aisha, essa não é somente uma história convencional de duas almas que se encontram e se apaixonam.

O que acontece nas mais de duas horas de projeção é um retrato maduro, muitas vezes surpreendente, sobre as possibilidades de interpretações do que é o amor, além de destilar críticas sociais certeiras aos produtos descartáveis televisivos. Percorrendo com dinamismo traumas, relações de atritos na família e verdades que se descontroem, esse pode ser considerado mais um dos grandes acertos da Netflix nesse 2025.

O playboy e herdeiro de um grande canal de televisão Reuben (Reza Rahadian) passa seus dias no conforto e comodidade de uma vida fácil. Quando seu pai morre de forma inesperada, para receber a herança, ele precisa casar com a ‘garota mais linda do mundo’. Assim resolve participar de um reality show de casamento que a emissora produz. Passando por um processo de maturidade durante esse tempo, aos poucos vai se aproximando de uma de suas funcionárias, Kiara (Sheila Dara Aisha).

Não precisa ter um beijo sequer para nascer um filme bonito e romântico. O corajoso e inteligente roteiro consegue prender a atenção dando um choque de realidade para a fantasia de um conto de fadas. Com arcos dramáticos de dois personagens em contrapontos, que logo alcançam um harmonioso clímax, vamos acompanhando um discurso que se transforma, jogando para escanteio qualquer previsibilidade.  

Sem esquecer de uma profunda crítica ao mundo televisivo, o machismo descarado, as encenações e a distância do real – aqui exemplificado com os descartáveis reality shows – percorremos uma história de amor sem deixar de ter a disposição reflexões sobre nossa sociedade.


Postagens mais visitadas deste blog

Jantar para Idiotas

Depois de ler a sinopse eu ja sabia que não iria gostar mas como todo cinéfilo é teimoso... fui assistir a esssa produção em uma noite que estava sem sono. Resumindo, foi muito difícil chegar ate o final. Paul Rudd não consegue sair desses papeizinhos de homem de 30 anos com alguma crise; seja ela no casamento, na desilusão de não ter amigos, ou conhecendo alguma garota dos seus sonhos. Dessa vez, ele é um empregado de uma grande empresa e para se enturmar com a gerência tem que arranjar um idiota(isso mesmo, pasmem) para levar em um jantar onde há uma zoação generalizada em cima dessas pobres almas. Nem comentarei o papel ridículo de Steve Carell nesse filme. Eu fiquei imaginando como Hollywood ainda pode bancar idéias desse tipo. Tanto roteiro bom engavetado e uma porcaria dessas é lançada, vendendo uma idéia besta como essa. Isso só serve para aumentar bullying(Alô Serginho Groisman!) nas escolas entre outras coisas, que não são os mais corretos, em uma sociedade robótica onde o cin...

Tron (1982)

Bem galera, vi recentemente o primeiro filme de TRON, muito por conta da minha teimosia de sempre ver sequências, ou alguma parecido com isso, na sua ordem cronológica. Muito engraçado ver o Jeff Bridges novinho e sem aquela barriga saliente, nem parece o grande lebowski ou outro grande personagem que ele ajudou a eternizar. Flynn , nome do personagem principal da trama, é um programador de jogos de vídeo games (universo que conheço um pouco) e acaba entrando dentro do programa, tornando-se peça de suas criações. A idéia do filme é bastante interessante, se pensarmos, que o filme foi produzido em 1982 e os computadores não eram essas super máquinas que, hoje, encontramos em qualquer esquina. Por isso, vejo TRON(a versão 1) como sendo revolucionário nessa coisa de ficção ligada a computadores e sistemas. A execução do filme não é lá essas coisas e chega a ser bem confuso em determinadas horas aqueles efeitos e sequencias malucas que o roteirista inventou. O final do filme não era como...