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Crítica do filme: 'Milton Bituca Nascimento' [Mostra de Cinema de Tiradentes 2025]


Indo de encontro ao impossível, o decifrar, explorando todas as facetas, de um ícone da música brasileira o documentário Milton Bituca Nascimento teve sua primeira exibição na 28ª Mostra de Cinema de Tiradentes. Batendo forte na tecla de que os começos é que são eternos, com a fragilidade e a fortaleza se encontrando numa trajetória, o músico nascido na tijuca - mas que logo virou mineiro de coração – tem aqui os olhares dos outros para contar sua própria história.

Diferente de outras obras documentais, onde a lógica era tentar que o próprio centro das atenções contasse sua história, o documentário dirigido por Flavia Moraes aposta em menos canções com Milton à frente, investigando respostas de lacunas nunca preenchidas através de quem o admira, que logo se torna um desvendar cheio de caminhos de um dos mais enigmáticos artistas que nosso país já conheceu.

O tempo, a imortalidade, ganham atmosfera poética e até filosófica que inclui uma narração constante feita pela grande Fernanda Montenegro. O processo criativo através de depoimentos de outros expoentes da arte ganha força na tela explorando todas as facetas de um exímio conector de talentos, conhecido pelas melodias diatônicas. A contagem regressiva dos palcos parece ditar o tom das quase duas horas de projeção sempre com um discurso que atravessa a complexidade em busca de respostas sobre o que é e o que representa.

O projeto é bem corajoso, poderia ter seguido muitos caminhos mas resolve arriscar-se jogando-se num desmistificar pensamentos e conclusões do que é um artista completo que são preenchidos por entrevistas, imagens da turnê de despedida, tendo a trajetória de Bituca como referência. Milton Bituca Nascimento joga luz e passa pela história do Brasil além de questões sociais que vemos em constante debate até os dias hoje. Durante a turnê de despedida, um dos epicentros que compõe a narrativa, a emoção é vista em cada olhar, em cada sentimento. 


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