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Crítica do filme: 'Rock Bottom' [7a Edição do Lanterna Mágica]


Trazendo uma imersão profunda pelas percepções de aspectos da mente que se misturam com inspirações entre a carreira musical e os dramas da vida de um conhecido músico da cena britânica de décadas atrás, o engenhoso drama musical com técnicas de animação Rock Bottom é uma verdadeira viagem existencial. Repleto de interpretações e caminhos para o público se jogar, o projeto, escrito e dirigido pela cineasta espanhola María Trénor, foi o filme de abertura da 7a edição do Lanterna Mágica – Festival Nacional e Internacional de Animação.

Durante uma festa, onde Bob reencontra amigos da cena musical ele é logo fisgado pelos excessos e na paixão relâmpago por uma fã. Só que ele não esperava que Alif, seu grande amor, aparecesse à sua procura desencadeando em uma queda que o deixa em estado crítico. Durante esse tempo em recuperação vamos conhecendo melhor a história dos dois, algo que se estende em alucinações e variações temporais.

Já com um deslize no seu arco inicial, uma explicação simples e ligeira apontando suas inspirações em um integrante de uma das bandas pioneiras do rock psicodélico na cena britânica na década de 1960 – Robert Wyatt da Soft Machine - Rock Bottom apresenta sua vida declamada em forma melódica cheia de imagens e movimentos tendo como plano de fundo o seu álbum: Rock Bottom. Confuso? Vocês não perdem por esperar!

Antes de mais nada é preciso falar: esse é um filme corajoso. Esse adjetivo se encaixa muito bem quando nos deparamos com 82 minutos que chamam a atenção mas com momentos de total dispersão. Tendo a cultura Hippie como elemento importante, que compõe o pensamento ideológico de uma geração, o roteiro se propõe ter suas inspirações entre a carreira musical e os dramas da vida de um músico que existiu de fato. Só que o discurso sai pela culatra, transformando algo que poderia ser passado com mais clareza em uma descontrolada deslocação de tempo e memória, completamente sem chão.

De interessante, uma das estradas onde a lógica parece realmente fazer mais sentido é nos obstáculos da relação. Quando o público se encontra de frente com os contornos de um amor autodestrutivo, passado e eventual futuro começam a ganhar formas mais consistentes através da rotina e do desencanto tendo o processo criativo como uma mola propulsora que ganha bons momentos dentro de um cenário movido ao melodramático. Mas para se chegar a reflexões sobre esse oásis dentro de um terremoto de informações desencontradas é preciso muita paciência.

Amigo dos integrantes da banda Pink Floyd – com quem colaborou em algumas canções – Robert Wyatt tem recortes de sua vida contada através desse drama musical movido à técnica de animação e onde parece que tudo precisa de uma explicação visual ou até mesmo musical. Às vezes as entrelinhas preenchem mais espaço do que algo que para muitos podem representar sem sentido. Rock Bottom ruma a longos passos para seus desencontros mal explicados entre ficção e possível realidade, transformando seu personagem homenageado em um nômade da própria história.    

 

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