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Crítica do filme: 'O Ano em que o Frevo não foi pra Rua' [CINEPE 2025]


O frevo de uma nota só. Em meio à pandemia, que sufocou sonhos e silenciou a alegria, as emoções contidas nas ruas vazias ganham voz no documentário O Ano em que o Frevo não foi pra Rua, selecionado para a mostra competitiva nacional do CinePE 2025. Dirigido por Mariana Soares e Bruno Mazzoco, o filme apresenta um olhar sensível mas arrastado sobre o isolamento, a ausência e o reencontro de apaixonados pelo carnaval pernambucano, privados da celebração que dá ritmo às suas vidas.

Dando voz à representantes dos conhecidos mundialmente - O Galo da Madrugada, O Homem da Meia-Noite - de Recife à Olinda, vamos percorrendo as emoções conflitantes de dois anos sem carnaval. Mesmo perdendo fôlego em muitos momentos, a bonita e intensa relação dos pernambucanos com as festas populares é algo que é transmitido, contagia. Até a volta do final feliz: atenção e apreensão, emoções captadas através do sentimento vazio de um hiato com muitas questões.

O som melancólico do saxofone assume um papel central na atmosfera do filme, reforçando a tristeza onde a narrativa parece encontrar sua zona de conforto. Essa escolha sonora nos conduz por uma sequência de retornos emocionais — entre depoimentos de foliões, compositores e amantes das grandes festas culturais da região — ainda que, em alguns momentos, acabe recaindo em clara redundância. É como se estivéssemos ouvindo a mesma mensagem num eterno play de uma vitrola que busca gerar as reflexões num certo desconforto.

Não chega a ser um filme triste sobre carnaval (acho até que é impossível isso!). Há um esforço louvável para reflexões que já vimos – sobre outros temas – dentro do momento que a Covid-19 pegou a todos nós de surpresa. Mas a bolha de tristeza profunda que vai se criando é uma estrada sem retorno que não chega ao seu ápice mesmo quando tudo ganha cores.   

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