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Crítica do filme: 'As Dores do Mundo: Hyldon' [Festival do Rio 2025]


O cineasta e antropólogo Emílio Domingos vem enriquecendo nossas reflexões com projetos interessantes, bem amarrados e com recortes profundos ligados à nossa cultura. Foi assim em Black Rio! Black Power!, documentário sobre o movimento Black Rio, e em Os Afro-Sambas, o Brasil de Baden e Vinicius, obra que destrincha detalhes de um disco de Vinicius de Moraes e Baden Powell, lançado em meados da década de 1960. A cada novo registro, uma página da nossa música e sua relação com a sociedade se revela atemporal.

Seu novo trabalho, que dirige ao lado de Felipe David Rodrigues, lançado no Festival do Rio 2025, chega para colocar no centro da tela um nome que você talvez não conheça, mas já escutou alguma canção dele. As Dores do Mundo: Hyldon conta a trajetória de Hyldon de Souza Silva, conhecido apenas pelo primeiro nome: guitarrista e produtor, fã de Marvin Gaye, que logo virou artista. Além de tudo, um observador atento de muito momentos da música popular brasileira.

Desde a infância na Bahia até a chegada ao Rio de Janeiro, passando pelos primeiros acordes e as oportunidades que apareciam, ele sempre se manteve fiel a seu modo de pensar e viver a vida. Desconhecido por muitos, possui em seu acervo criativo canções emblemáticas cantadas até hoje. Vendo a Jovem guarda acontecer e com as influências do amigo Tim Maia, entre músicas rápidas e lentas, mostrou versatilidade e um estilo próprio, causando um forte impacto em toda uma geração.

O documentário, modelado por imagens de arquivos, vídeos de apresentações e reportagens de época, além de maravilhosas entrevistas com nomes como: Liniker, Mano Brown, Seu Jorge, Sandra de Sá, parte dos 50 anos de seu primeiro álbum – um estrondoso sucesso – e ajuda a revelar um pouco dos seus pensamentos ao longo dessas décadas, enquanto sobreviveu ao tumultuado mercado fonográfico brasileiro. O projeto sugere também paralelos reflexivos que dialogam com uma sociedade marcada por acontecimentos que influenciaram o nosso país.

Nessa narrativa deliciosa – Domingos sabe como contar uma história, e isso não é de hoje – extrai-se o suco de um Soul Man também por meio de duas das suas mais simbólicas canções. Da resposta a Schopenhauer na canção As Dores do Mundo até o clássico Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda (Casinha de Sapê), escrita em cinco minutos após uma viagem a uma praia do espírito Santo, vamos decifrando um artista com ‘A’ maiúsculo, que escolheu mostrar a vida real por meio de sua obra, conquistando corações e contemplando a pura essência do viver: não querendo saber quem foi, mas sim quem é.

 

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