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Crítica do filme: 'Cais' [CineBH 2025]


No segundo dia do CineBH 2025, foi apresentado ao público um longa-metragem que é uma experiência – muitas vezes indecifrável –, rompendo com o lugar-comum trazendo os múltiplos sentidos da ausência entre belíssimas, e espalhadas, imagens em movimento. Tendo a água - o recurso fundamental para existência - como elemento-chave para o decifrar as reflexões, Cais, longa-metragem dirigido por Safira Moreira, encontra no luto uma forma de pensar o tempo.  

Entre antíteses que atravessam o recorte de uma família - o passado e o presente, a morte e a vida, tradição, cultura, religião -, o pensar sobre a existência se alia a uma câmera que encontra os lugares, como um personagem observador, em busca de um norte para os afluentes que conduzem ao epicentro dessa história. As interpretações podem ser variadas: esse é um documentário que não revela, mas pede pra ser sentido. De algum modo, tudo passa pelo tempo entrelaçando as gerações.

Há um desafio para o público: nesse ‘River Movie’, não há uma pista sobre o que é essa história e logo ficamos numa posição de sentir mais do que compreender. Em certos momentos, a ausência dos diálogos nos coloca de frente com a imersão, mantendo-nos em estado de atenção durante toda a projeção. Do fundo do mar, memórias convergindo sobre origens se chocam com a despedida (a partida da mãe), e também o recomeço (a maternidade) - um primeiro pulso que pode marcar o início de um caminho para interpretações.

Vencedor dos prêmios de melhor filme pelo júri, público e crítica no seu evento de estreia na 14º Olhar de Cinema, Cais nos gera uma inquietação constante, pede por uma entrega sensorial, entre peças que despertam nosso olhar. É um longa-metragem que fica na gente por dias, quando percebemos ainda estamos pensando sobre a obra. Quando o cinema nos provoca dessa forma, nos tirando da acomodação do que logo se entende, valida o valor do registro. 

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