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Crítica do filme: 'Honestino' [Festival do Rio 2025]


Qualquer filme que aborde os horrores do período de ditadura no Brasil já é, por si só, chocante. Tendo isso em mente, iniciamos as reflexões sobre mais uma obra que volta ao tema e, de maneira inquietante, nos leva até a história de um pai e líder estudantil que desapareceu nas mãos dos militares. Honestino, novo trabalho do cineasta amazonense Aurélio Michiles, mistura documentário e ficção em uma obra visceral que escancara verdades de quem sempre esteve do lado certo da história.

Com uma prévia contextualização de um dos momentos mais tristes da história brasileira – a ditadura militar – por meio de poemas, depoimentos, imagens de arquivos, chegamos até o início da década de 1970, quando o líder estudantil Honestino Guimarães desapareceu.

Valente na sua luta em busca da restauração da democracia, o estudante de geologia goiano viveu anos complicados, sendo alvo frequente de perseguição militar e chegando a ser preso diversas vezes na década anterior ao seu desaparecimento. Por necessidade de viver escondido, longe dos holofotes e da família, mudou para alguns estados vivendo em meio a solidão. Nesse documentário, vemos um recorte dessa trajetória ser contada, algo que vai de encontro a momentos de ebulição em nosso país.

Muito próximo do personagem-título – de quem era grande amigo – Michiles costura sua narrativa documental com o impulso da ficção, na qual encontramos uma atuação pulsante de Bruno Gagliasso, representando Honestino em momentos-chaves de reflexão e agonia vividos naquele período. Esse híbrido entre depoimentos de conhecidos e representações de momentos – da luta ao legado - coloca esse projeto em um outro patamar, causando um verdadeiro impacto de emoções.  

A estética do filme chama a atenção do público em muitos momentos: do preto e branco ao colorido, das sombras à esperança, somos atingidos por uma onda de reflexões por meio de uma pessoa que nunca será esquecida. A narrativa é de fácil entendimento, pulsa e emociona, apresentando um desfile de imagens e movimentos que realmente comovem, ressaltando a importância desse personagem - tanto como figura importante política e presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) quanto como pai amoroso que viveu pouco tempo perto da filha.  

Selecionado para o Festival do Rio 2025, exibido na noite do último dia 09 de outubro – uma data emblemática, já que no dia seguinte (momento em que escrevo estas palavras) completam-se 52 anos do sequestro de Honestino Guimarães – esse documentário é muito mais que um registro importante de uma página sombria de nosso Brasil, é uma enorme exclamação de resistência e memória: Honestino Vive!

 

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