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Crítica do filme: 'A Natureza das Coisas Invisíveis' [CineBH 2025]


Selecionado para a Mostra CineMundi do CineBH 2025, o delicado e marcante longa-metragem A Natureza das Coisas Invisíveis aposta no olhar ingênuo das primeiras fases da vida para construir uma trama que se sustenta na sutileza, encontrando reflexões maduras sobre a vida e a morte, equilibrando o conforto da imaginação com o impacto da realidade. O filme é escrito e dirigido por Rafaela Camelo, em seu primeiro longa-metragem.

Com a câmera sempre no lugar certo, somada a atuações maravilhosas e diálogos envolventes, cada peça do que assistimos se juntam para complementos, ampliando o discurso. Temas como a maternidade, os desafios na relação entre mães e filhas, a transição de gênero, o luto, são assuntos que aparecem ao longo dos cerca de 80 minutos de projeção.

Gloria é uma jovem super inteligente e comunicativa que acabou de entrar de férias. Sem ter com quem deixá-la, sua mãe, uma profissional da saúde, a leva diariamente ao hospital onde trabalha. Um dia, dá entrada na emergência Sofia, uma menina trans, neta de uma senhora que adoeceu. Com idades próximas, Gloria e Sofia logo se tornam amigas. As mães resolvem levá-las até um sítio, e lá começam a ultrapassar páginas do passado e abrir os horizontes para o futuro.

A história é contada de forma delicada, em uma narrativa de estrutura simples, na qual pontes são construídas através das imagens e mensagens, acompanhadas por uma trilha sonora cirúrgica. Assim, chegamos em preenchimentos de lacunas que se criam num primeiro momento. O encontro entre dois mundos, cujas questões convergem, e o olhar da criança para o universo cheio de questões da sociedade, abre espaço para temas polêmicos que podem servir para ótimos debates. De mansinho somos conquistados por essa história.

Os muitos sentidos da morte se tornam uma questão central que navega por toda a trama. Contornando esse tema muitas vezes complexo de captar olhares, a narrativa se lança em um corajoso jogo de complementos, no qual cada detalhe ganha importância em cena. Um exemplo disso é a presença de um porquinho que aparece durante partes da história, cujo simbolismo revela significados para os olhares mais atentos.

Exibido no Festival de Berlim deste ano e com uma sessão emocionante no CineBH, A Natureza das Coisas Invisíveis encontra nas sutilezas do primeiro olhar maduro para a existência seu porto seguro, apresentando uma história repleta de ternura, incertezas, e, acima de tudo, afeto.

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