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Crítica do filme: 'Zoe, minha amiga Morta'


Totalmente focado em detalhar os caminhos de aflição de uma pessoa com Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), o projeto Zoe, minha amiga Morta, que chegou recentemente ao catálogo do Prime Video, nos mostra uma jovem ex-militar perturbada pelo fantasma de uma amiga falecida. A partir do trauma de uma situação, percorremos os choques emocionais promovendo bons debates sobre saúde mental.

Dirigido por Kyle Hausmann-Stokes, em seu primeiro longa-metragem, o filme busca, por meio de seu roteiro, conectar todos os pontos de um diagnóstico que atinge milhares de pessoas ao redor do mundo. Do psicológico ao social, passando pelas fragilidades do estado de bem-estar até os sinais de alerta quando o descontrole se manifesta, o abismo profundo sobre o assunto é colocado para reflexões.

Merit (Sonequa Martin-Green) trabalhou durante muitos anos como mecânica em unidades militares. Durante o tempo que serviu ao exército, desenvolveu uma amizade profunda com Zoe (Natalie Morales). No presente, Merit enfrenta inúmeros conflitos provocados por situações que lhe causaram forte estresse. Buscando encontrar soluções para sua saúde mental e se reaproximando do avô – em fase inicial de Alzheimer – ela embarca em uma jornada de descobertas e enfrentamento dos medos.

O projeto busca realizar algo que pode ser bem complicado quando pensamos em narrativa: ligar um acontecimento trágico do passado – sem revelações iniciais, apenas sugestões - a questões incômodas do presente. Essa junção de elementos ganha força a partir de lembranças vívidas, em forma de flashbacks, mas que estacionam em muitos momentos na melancolia da introspecção, mesmo fazendo sentido pela culpa e o medo que destroem qualquer fortaleza.

Preparando o terreno para o seu iminente clímax, o filme segue em um ritmo dosado, através de um humor triste – entre o doloroso e o cômico -  percorrendo detalhes da intimidade de uma forte amizade, ponto inicial para o desenvolvimentos dos personagens. Falando em personagens, além das duas boas atuações das protagonistas, em papéis complexos e executados com interpretações comoventes e sólidas, os dois coadjuvantes interpretados pelos experientes Morgan Freeman e Ed Harris também chamam a atenção.

Zoe, minha amiga Morta através de uma história que pode encontrar paralelos com muitas outras, de forma envolvente, nos leva para reflexões sobre o universo muitas vezes silencioso da saúde mental.

 

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