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Crítica do filme: 'Balada de um Jogador'


Chegou à Netflix uma obra desafiadora, que não é uma narrativa de compreensão trivial, buscando associar a conturbada instabilidade emocional de um protagonista em processo de autodestruição a elementos que desafiam a lógica de tempo e espaço. Dirigido pelo excelente cineasta suíço Edward Berger – indicado ao Oscar e que já apresentou ao público os ótimos Conclave e Nada de Novo no Front -, Balada de um Jogador é um projeto ‘fora da caixa’, ousado e, ao mesmo tempo, criativo que desafia o público ao longo dos 100 minutos de projeção.

Se você curte filmes de fácil assimilação, essa é uma obra que você pode não gostar – mas vale o desafio. Dentro de um enredo algumas vezes desconexo caminhando ao imprevisível, com cores vibrantes acenando à sensação de delírio, segue a desorientação de um personagem central apresentando seu estado de espírito e reagindo ao que acontece ao seu redor. O projeto, que teve exibições no Festival do Rio antes de chegar à líder dos streamings, conta com uma ótima atuação de Colin Farrell.

Lord Doyle (Colin Farrell) é um apostador completamente impulsivo que está em Macau –região com impulsos econômicos ligados aos jogos de azar, também conhecida como Las Vegas da Ásia -, passando os dias jogando bacará sem parar e se afundando na própria ruína. Quando percebe que seu passado o alcançou por conta das inúmeras dívidas que possui em outros cantos do mundo, ele conhece Dao Ming (Fala Chen), uma mulher misteriosa que pode ter algumas soluções para seus problemas.

Baseado na obra The Ballad of a Small Player, do autor britânico Lawrence Osborne, esse longa-metragem se decifra de inúmeras formas tendo um ‘start’ quando se percebe uma junção de lições morais por meio de parábolas sobre uma difícil redenção. Dentro dessa questão existencial, se desenrola uma trama cheia de sugestões que se confundem entre sonho e realidade. Esse é um filme para estar aberto a possibilidades - bem longe do convencional.

Muito parecido com a premissa de filmes como Despedida em Las Vegas, que usam a autodestruição como escudo para mensagens diretas e indiretas, Balada de um Jogador é um projeto arriscado - daqueles de dividir opiniões. Instiga o público a sair de zonas de conforto, mas se confunde nas suas próprias estranhezas.

 

 

 

 

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