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Crítica do filme: 'Campina Noir' [Comunicurtas 2025]


A balada do justiceiro adormecido. Com o pessimismo e a desilusão diluídos numa atmosfera noir, marcada por um alter ego afiado e cheio de referências na cultura pop, chegamos - no penúltimo dia de exibições das mostras competitivas do Comunicurtas 2025 - até o curta-metragem Campina Noir, dirigido por Kennyo Alex. Nesse suspense policial, a vingança, a violência e a caçada a um serial killer tornam-se elementos dos conflitos de personagens carregados com dolorosas marcas do passado.

A trama é bem simples, mas por que não dizer também engenhosa? Ambientado em uma Campina Grande (PB) de 1985, a violência aflora pelas ruas da cidade, enquanto elementos da força policial – perdidos nas investigações – recorrem a um super-herói aposentado que vive seus dias no ostracismo. Em uma referência à Gotham City e ao universo de Batman, vamos sendo conduzidos a uma história de justiça, ressentimento e vingança.

A construção do personagem mais marcante, Flama - uma espécie de batman de sua região - é objetiva, mas carregada de elementos que remetem ao simbolismo que se estabelece. Não sei se vocês conhecem – eu não conhecia -, mas o personagem fora criado anteriormente pelo quadrinista paraibano Deodato Borges. Antigamente tido como uma ajuda para combater o crime, o herói agora vive dias entre bebidas e cigarros, se culpando pela morte de seu fiel escudeiro, Zito.    

Dentro desse contexto, com um pessimismo que se acentua a cada virada de página do roteiro, há várias formas de enxergar e embarcar nessa história. Salta aos olhos o conflito sempre complexo entre ser herói e ser civil – algo presente em quase todos os super-heróis que conhecemos – além das críticas sociais repletas de ambiguidades morais. Pena que o final aberto e sem desfecho não conclui o que propõe, indo para longe da expectativa, apenas deixa lacunas e se torna inconclusivo.  

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