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Crítica do filme: 'Manga'


Sem pretensões de ser algo além de uma simpática comédia romântica que vai de encontro a uma ingenuidade da previsibilidade, chegou à Netflix, nesse início de novembro, uma produção dinamarquesa que busca no superficial reflexões sobre o lado existencial de dois personagens em conflito. Manga, dirigido por Mehdi Avaz, segue uma receita de bolo – como tantas outras produções – virando um passatempo sem ambições maiores, mesmo com personagens carismáticos.

Lærke (Josephine Park) é uma mulher que busca os próximos passos no ramo hoteleiro. Mãe da jovem Agnes (Josephine Højbjerg), ela nunca consegue arrumar tempo para a filha. Focada em uma nova missão determinada pela chefe, Joan (Paprika Steen), ela parte para Málaga com o objetivo de convencer o viúvo Alex (Dar Salim) a vender suas valiosas terras, que abrigam uma enorme plantação de mangas. Tudo que ela não esperava era se apaixonar por ele.

A narrativa busca nas surpresas do destino seu fôlego, construindo contrastes que vão da alegria aos dilemas, das dores do passado às incertezas do futuro – norteada por um positivismo, traço marcante de muitas produções românticas. Com um cenário deslumbrante de pano de fundo, amplificações de emoções são vistas com uma composição de cores que expressam o desejo e a paixão, também por diálogos que expõem os clichês.  

Mesmo sendo superficial e não rompendo camadas, o roteiro busca alguns caminhos para mostrar as aflições e correr desesperadamente para o intenso de um amor avassalador. Dois personagens de meia-idade enfrentam os conflitos de suas trajetórias até ali: uma mãe workholic e um empreendedor se enrolando em dívidas. O amor surge como uma oportunidade de entender o mundo de outra forma - dentro de um sentido existencialista, onde a responsabilidade e a angústia vem antes de qualquer construção de quem são como seres humanos.

Não sei se há alguma metáfora no sabor doce e no aroma intenso da conhecida fruta tropical que dá título à obra. Talvez seja uma possibilidade de refletir sobre o amadurecimento. Nesse caso, realmente se encontra conexões para se pensar sobre o tempo como um elemento importante para os próximos passos que todos nós, algum dia, temos que dar.  

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