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Crítica do filme: 'Samba Infinito' [Comunicurtas 2025]


Uma vez por ano, milhares de pessoas vão às ruas para festejar uma das festas populares mais famosas do mundo: o carnaval. Esse prazer estonteante dos foliões, que mistura ritmos e culturas, dá margem para boas histórias - exatamente como é o caso de Samba Infinito, filme de Leornardo Martinelli exibido pela primeira no Festival de Cannes e selecionado para a mostra competitiva do Comunicurtas 2025.

Da folia ao inusitado, acompanhamos um gari que, durante seu trabalho já no fim das festas de carnaval, encontra um jovem garoto, logo o ajudando a procurar alguém próximo. Percorrendo as ruas de uma enorme cidade - que poderia ser qualquer uma de nosso país -, no final desse encontro algo que remete ao passado se coloca diretamente diante dele.

Transições belíssimas nos presenteiam com a fantasia e o musical numa atmosfera contagiante, traçando paralelos com a folia e um sentimentalismo profundo que desembarca em relações passadas, mas nunca perdidas pelo tempo. E essa palavrinha – tempo - aqui ganha fortes alicerces e se torna parte dos caminhos interpretativos que podem ser alcançados.

Com uma composição visual deslumbrante, que influencia sensações e significados - das lembranças do último abraço à certeza do fim atravessando o desmonte do carnaval -, esse curta-metragem ainda consegue associar formas culturais ao modo fascinante que interpreta a importância da leitura e os contornos do olhar individual para lugares repletos de representações.

Com Camila Pitanga e Gilberto Gil em participações especiais – algo que só engrandece a obra – , Samba Infinito é um daqueles projetos cheios de caminhos imaginativos, até mesmo para alcançarmos as reflexões que propõe.

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