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Crítica do filme: 'Se Esse Amor Desaparecesse Hoje'


Explorando a sutileza de uma relação sem esquecer de aprofundar em camadas, o longa-metragem sul-coreano Se Esse Amor Desaparecesse Hoje posiciona suas peças em um tabuleiro romântico, em busca daquele pedacinho que deixamos para quem amamos. Dirigido pela cineasta Kim Hye-young, o filme - que rapidamente alcançou o Top 10 da Netflix neste início de 2026 – percorre a juventude abordando temas como bullying, luto e o primeiro amor, a partir de uma conexão profunda que se estabelece entre seus personagens protagonistas.

Kim Jae-won (Choo Young-woo) é um jovem e solitário estudante do ensino médio que leva uma vida simples ao lado do pai, um fotógrafo que trabalha com arte em vidro e ainda vive o luto pela perda da esposa. Um dia, após um desafio, ele toma coragem e vai ao encontro de Seo-yoon (Shin Si-ah), uma jovem que rapidamente o encanta.

Porém, nessa história que tinha tudo para rumar para um final feliz, descobre-se que Seo-yoon perdeu a memória após sofrer um acidente de carro e foi diagnosticada com amnésia anterógrada – condição que, ao acordar, esquece tudo que aconteceu no dia anterior. Com regras definidas desde o início, os dois vão se apaixonando e enfrentando os obstáculos que aparecem pelo caminho.

Na linha de um ‘dorama’ - aquelas séries asiáticas marcadas por narrativas emocionais -, o filme constrói uma atmosfera de fábula, mas, à medida que avança em seu desenvolvimento, encontra questões existenciais marcantes, podendo alcançar muitos paralelos na realidade. Os mistérios do cérebro e a relação com as emoções ganham destaque, especialmente na principal reviravolta que acontece na trama – que pode pegar parte do público de surpresa.

Vale também destacar que há uma delicadeza emocional gerando um ritmo contemplativo à maior parte do tempo, herança de um cinema asiático que sabe como ampliar complementos narrativos. A boa condução da direção e a química do casal de protagonistas engradecem a obra, que, entre lembranças e dilemas, convida o público para momentos de reflexão sobre o vazio existencial que pode atravessar muitas histórias do lado de cá da tela.

Seguindo, em parte, a lógica de ‘Como se Fosse a Primeira Vez’, Se Esse Amor Desaparecesse Hoje busca encontrar suas próprias originalidades, tornando-se um drama romântico sutil e de cortar o coração.

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