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Crítica do filme: 'A Acusada' (2026)


Duas médicas casadas. Uma denúncia de assédio. Duas perspectivas. Lançado há alguns dias na Netflix, o longa-metragem indiano A Acusada busca de maneira rasa e pouco consistente abordar um assunto sensível. Com subtramas entrelaçadas, que não ajudam a sustentar as possíveis camadas que o filme poderia acessar, a narrativa se limita a uma história que não causa o impacto que deveria.  

Dirigido pela cineasta Anubhuti Kashyap, o roteiro – assinado por Sima Agarwal e Yash Keswani - se estabiliza sobre a comodidade da dúvida, deixando a paranoia e um casamento prestes a ruir se sobressair sobre as reflexões importantes que o tema exigia.

A brilhante e egocêntrica médica ginecologista Geetika (Konkona Sen Sharma) é a grande estrela do hospital londrino onde trabalha e está prestes a ser convidada para assumir a chefia do lugar. Casada com a médica Meera (Pratibha Ranta), vive seus dias com grandes planos para o futuro. Acontece que uma série de denúncias contra Geetika – acusando-a de assédio – vira a vida do casal ao avesso, levando Meera a suspeitar da própria esposa.

Vamos avançando na trama através de duas perspectivas: a de Geetika e a de Meera. A primeira se apresenta como uma personagem ambígua, rígido em seu ofício, que é adepta de mentiras para com a esposa – bem mais jovem - e mantém uma proximidade com a ex-namorada. Já a segunda é a personagem que traz algumas possibilidades em seu desenvolvimento, vivendo um casamento em outro país escondido da família e à beira de dilemas entre o relacionamento e a carreira profissional.

A todo instante, percebemos que o drama vai se transferir para um thriller, ou algo próximo. O assunto principal fica de lado em muitos momentos. Na ponte entre a aparente felicidade e a crise provocado pela denúncia, personagens entram e saem sem desenvolvimento satisfatório, limitando-se ao essencial e se abraçando a uma resolução simples.

É muito frustrante quando um filme que levanta questões importantes para debates sobre a nossa sociedade tende a soluções previsíveis, praticamente anulando qualquer escalada nos embates sugeridos. Ao optar por desenvolver o conflito através de um relacionamento em crise, a trama perde o fôlego de colocar em evidência as condutas reprováveis se transformando em um suspense desalinhado, com peças soltas.  

 

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