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Crítica do filme: 'Em Um Piscar de Olhos'


Com um ping-pong constante entre três linhas temporais, o longa-metragem Em Um Piscar de Olhos percorre uma trama que vai da descoberta do fogo à inteligência artificial, criando conexões ao longo do tempo. A partir de três perspectivas que vão se entrelaçando – em um enorme desafio para a montagem -, somos convidados a refletir sobre a existência e o nosso papel em um mundo em constante mudança.

Dirigido pelo ótimo cineasta norte-americano Andrew Stanton – diretor de Procurando Nemo, Wall-E e do futuro Toy Story 5 –, essa obra valida a premissa de que quase tudo está conectado, até mesmo o que não damos valor, nos empurrando das certezas até ao improvável da vida.

A trama apresenta trajetórias de algumas fases de nosso planeta. No final da era neandertal, uma família liderada por Thorn (Jorge Vargas) busca sobreviver em um mundo ainda cheio de limitações, mas onde o amor já começa a prevalecer. Em 2025, Claire (Rashida Jones), uma pesquisadora e antropóloga com dificuldades no relacionamento com Greg (Daveed Diggs) e problemas em sua vida pessoal, tenta construir sua vida. No futuro, mais especificamente em 2417, a inteligência artificial Coakley (Kate McKinnon) descobre as emoções humanas durante uma viagem com o objetivo de uma colonização espacial.

O título é certeiro. Dentro do discurso afiado de um roteiro que navega na antropologia filosófica - do comportamento à evolução -, mostrando comportamentos sociais e seus obstáculos quando a vida muda em um piscar de olhos, essa obra sci-fi se debruça sobre os dilemas das experiências humanas, sobre o espírito coletivo e a certeza de que só vamos evoluir se todo mundo fizer a sua parte.

Ao longo das três passagens temporais, que ganham coesão por meio de uma montagem certeira – algo que deve ter sido bem desafiante de construir sem perder o foco da narrativa -,  percebemos uma construção através da emoção, na qual os personagens caminham por dilemas ambientados, cada qual, em um momento diferente da vida na terra.

A partir disso, voltamos no tempo até a descoberta do fogo e logo damos um salto para nos perguntarmos: a vida eterna será algum dia possível? Em uma hora e meia de projeção, muito é sugerido pelas entrelinhas do ótimo roteiro, potencializado com uma narrativa envolvente.

As percepções que se formam, os sacrifícios, a impotência diante do que não tem cura, as chegadas e as despedidas: esse filme, que tá lá no Disney lus, aos poucos se torna um belo recorte imersivo sobre o ciclo da vida, trazendo lições para todos nós.

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